Como fica o cenário de candidatos a Prefeito de Botucatu com a pandemia?

Por Júnior Quinteiro

Cenário político para Botucatu (Imagem ilustrativa)

O ano de 2020 foi todo contaminado pelo novo Coronavírus. A paralisação foi total em torno da pandemia, o que coloca em segundo plano quase tudo o que restou, inclusive a eleição. Sim, eleição municipal, algo que muita gente nem lembra que ainda vamos vivenciar esse ano.

Em um ano onde as campanhas já seriam naturalmente mais enxutas fisicamente e mais robustas virtualmente, agora parece bem claro que a disputa eleitoral ficará bem restrita ao plano online, sem Fake News, esperamos.

E Botucatu, como se apresenta para eleição que ainda não tem data definida? (inicialmente seria em 04 de outubro). Até antes da terrível chuva de fevereiro tínhamos um cenário bem adiantado, embora não definido.

Logo depois mergulhamos na pandemia e as necessidades da cidade se tornaram outras. Embora haja uma certa acomodação, não há como fugir, Botucatu vai às urnas, seja em outubro, novembro ou dezembro para eleger Prefeito e Vereadores.

As conversas ocorrem há algum tempo nos bastidores, embora a pandemia tenha esfriado muita coisa. Mesmo assim, existem especulação, vontades pessoais ou coletivas, suposições e algumas certezas, ou quase tudo isso.

Vejamos então a situação e quais são os nomes que provavelmente estarão nas urnas eletrônicas este ano. Confira.

Mário Pardini vai para a reeleição

Arquivo Acontece Botucatu

Um ponto crucial nesse cenário eleitoral é a definição do atual Prefeito de Botucatu, Mário Pardini. O anúncio já era para ter sido feito, mas chuva e pandemia, em sequência, adiaram o que todo mundo já sabe.

A popularidade de Pardini, que já era significativa, ficou com proporções enormes após sua contundente atuação após a chuva de fevereiro. Na pandemia, se não cresceu, também não diminuiu, mesmo nos momentos mas tensos e desgastantes que o tornaram praticamente refém de situações difíceis.

O fato de não se conformar com o convencional, propondo e executando ações que poucas prefeituras no Brasil conseguem realizar, Pardini se impõe com muita força para vencer a eleição. Seus adversários até parecem saber desse predomínio, apostando apenas em bons resultados visando 2024.

O PSDB não terá dinheiro para sua campanha e a aposta será em ações nas redes sociais. Seu Facebook é de longe o perfil de maior engajamento de Botucatu.

André Peres, hoje no DEM, será novamente seu vice. Há quem defenda outros nomes, há quem torça o nariz, mas parece que essa é a decisão pessoal de Pardini. Isso pode ser resultado de algo combinado lá atrás, em dezembro de 2015 e será endossada pelo PSDB.

O fato é que tendo André Peres novamente na chapa, a animosidade entre Pardini e os irmãos Fernando e João Cury diminui sensivelmente. Sim, estavam se estranhando há pelo menos dois anos.

Chegou a se cogitar que estariam em lados opostos, mas a votação Doria x França para governador aqui em Botucatu (virou quase uma disputa local em 2018) teve um resultado altamente negativo para o grupo do ex-prefeito de Botucatu, sendo uma demonstração de força do atual prefeito, que goza, segundo pesquisas internas e não divulgadas, de uma popularidade muito forte estampada para estes personagens.

Fernando Cury é Deputado e dificilmente queimaria seus 98 mil votos, deixando nas mãos eleitores não só de Botucatu, mas de todo estado. João Cury, após condenação em Segunda Instância no caso Sangari, não está apto ao pleito deste ano.

Em conversas simples com qualquer parcela da população, é visível a avaliação positiva do atual prefeito, talvez umas das maiores nas últimas décadas. Com isso, Pardini colhe bons números de uma popularidade, muito mais pela capacidade administrativa do que pelo jogo político.

Izaias Colino afirma que será o candidato do PSL; o nome da vice é quase certo 

Foto Câmara Municipal

Vereador mais votado na última eleição e presidente da Câmara até o final de 2018,  Izaias Colino nunca escondeu de seus pares as pretensões de ser Prefeito de Botucatu. Perdeu a primeira tentativa pela vontade contrária de João Cury no final de 2015.

Ele se aproximou bastante do ex-Prefeito nos últimos três anos, mas já disse para muita gente que viabilizará sua candidatura, com ou sem o apoio dos Cury. Esse apoio no pré- chuva/pandemia dependeria do tamanho da briga dos irmãos Cury com Pardini, se que é teve briga de verdade.

Izaias, como anunciado pelo Acontece Botucatu no início do ano, pulou fora do Ninho Tucano. Foi para o PSL, partido que elegeu Bolsonaro Presidente. É certo que será a sigla com maior valor do fundo partidário para as eleições municipais, dando condições para uma campanha mais estruturada.

Pardini e Izaias nunca conseguiram falar a mesma língua e de dois anos para cá esse abismo na relação ficou ainda mais flagrante. Não era incomum até o início deste ano o ex-presidente da Câmara criticar o Prefeito, seja pela imprensa, redes sociais ou mesmo em rodas de conversas.

Com o slogan “Eu acredito no diálogo”, Colino intensificou de um ano para cá suas conversas com lideranças, políticos e membros da sociedade como um todo. Recentemente, após ficar semanas sem postar nada em suas redes sociais, acelerou os compartilhamentos do seu partido em Botucatu no anúncio de diversos pré-candidatos a Vereador.

Quem seria seu vice? Um representante do PSL na região foi taxativo: “Nossos candidatos em Botucatu são Colino e a Tenente Coronel Kátia (Regina Firmino Christófalo), ex-comandante do 12º Batalhão da PM e hoje atuando em Araraquara na Polícia Rodoviária.

Chegou-se dizer até mesmo em uma união com a Vereadora Rose Ielo, outrora ferrenha adversária no plenário da Câmara, algo pouco provável, uma vez que seu marido, adora centralizar as ações, segundo seus ex-companheiros de urna. E já que estamos falando da família Ielo…

Mário ou Rose Ielo?

Arquivo Acontece Botucatu

E Mário Ielo? Hoje no PDT e castigado por três derrotas consecutivas nas eleições municipais (em 2008 tentando fazer o sucessor, em 2012 contra João Cury e 2016 com Mário Pardini), deve de alguma forma participar do pleito em 2020. Há, porém, quem defenda hoje a candidatura de sua esposa, Rose Ielo.

Desde 2013 ela tem uma atuação combativa na Câmara Municipal e aparece mais que o marido no cenário político.  Vale lembrar que o cenário na composição da Câmara mudou, pois não há mais as coligações.

Caso Rose seja candidata em uma chapa majoritária, seu marido poderia ser candidato a Vereador, arrebatando um número expressivo de votos. Mas quem é mais popular? Rose ou Mário (Ielo)?

Existe até uma corrente que acredita na candidatura de ambos para a Câmara, o que para essa mesma corrente, seria um tiro no pé, além de colocar em situação muito delicada o nome de Trigo, sombra de Rose Ielo e que necessitaria ter muitos mais votos para emplacar mais um mandato.

Na eleição de 2018 eles seriam candidatos a Deputado, nas esferas estadual e federal. Tiveram suas candidaturas homologadas pelo PDT, mas desistiram do pleito.

Na oportunidade um assessor de Fernando Cury disse para muita gente que teve participação nisso. Nas discussões para a votação da represa em Botucatu em 2018, Rose e João Cury até trocaram tímidos elogios em entrevistas, mas isso já esfriou.

É provável que alguém saia candidato comandando uma chapa, só não se sabe quem. Fato é que pela primeira vez Mário Ielo já não unanimidade nem em casa e o nome de Rose ganha muita força.

PT, PSOL e defensores de Bolsonaro: Esquerda e Direita podem ter candidatos 

Arquivo Acontece Botucatu

O PT, que um dia teve o poder nas mãos, caiu em um abismo eleitoral estratosférico e amargou pela primeira vez em 2016 uma eleição sem sequer eleger um vereador em quase 30 anos. O diretório em Botucatu, ao contrário da banda podre na esfera nacional, é composto por pessoas honestas e bem-intencionadas, mas está dilacerado por tudo o que sofreu a sigla.

Dizem até que PT e PSOL deveriam conversar intimamente esse ano para uma candidatura de esquerda mais forte. O PSOL em 2016 mudou de candidato na última hora (Bilo por Daniel Carvalho). Não é possível, portanto, prever quem vai empunhar o microfone do partido de Ivan Valente.

Ainda sem a formação do ALIANÇA, futuro partido de Bolsonaro, defensores do Presidente se movem para lançar um candidato. O nome mais especulado é do experiente Armando Delmanto, que já foi figura presente nos bastidores da política botucatuense em décadas passadas.

Tudo isso são as peças colocadas e discutidas atualmente, podendo ainda passar água debaixo dessa ponte. Mas como disse no passado o saudoso vereador Progresso Garcia, “Na política eu só não vi boi voar”. Esperemos!

 

 

Resolução TSE 23.600/19

Art. 23. É vedada, a partir da data prevista no caput do art. 36 da Lei nº 9.504/1997, a realização de enquetes relacionadas ao processo eleitoral. 

Este é um artigo que faz apenas uma análise do cenário político, ou seja, sem cunho científico.