Suspeito de participar do ataque em Botucatu preso em SP estava envolvido em outro assalto na região, diz polícia

 

Tiago Tadeu Faria foi preso através de um mandado expedido pela Justiça de Iacanga — Foto: Câmeras de segurança/Reprodução

O homem preso nesta sexta-feira (11) em São Paulo, suspeito de integrar a quadrilha que explodiu agência bancária e causou pânico em Botucatu (SP), também é investigado por outros roubos a bancos na região, segundo a polícia.

Em coletiva realizada na manhã desta segunda-feira (14) em Bauru, o delegado da 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Cledson Nascimento, explicou que Tiago Tadeu Faria, conhecido como Gianechini, foi preso através de um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça de Iacanga, por conta de um roubo em 2016.

“Nos chamou a atenção em razão do biotipo do Tiago nesse roubo de 2016 em Iacanga. Um homem forte, alto, que havia sido captado claramente pelas imagens”, explica o delegado.

Na época, três homens invadiram uma agência bancária da cidade e renderam funcionários e clientes. Diante das novas provas encontradas, a polícia pediu o desarquivamento do inquérito desse caso e representou pela prisão temporária de Tiago, que foi cumprida nesta sexta-feira (11).

O delegado informou que também há indícios de que Tiago estava envolvido no ataque à Caixa Econômica Federal de Bauru em 2018, além do roubo em Ourinhos em maio e no Rio Grande do Norte, em 2017.

Segundo a polícia, o homem, que também foi identificado como o ex-integrante de uma escola de samba que invadiu a apuração e rasgou as notas dos jurados no carnaval de 2012, é um dos maiores criminosos de roubo a banco no Brasil.

A polícia informou que Tiago seria um dos líderes da quadrilha especializado em explosivos. A organização criminosa da qual ele participava sofreu um golpe em junho quando a polícia apreendeu 200 quilos de explosivos em Itaquaquecetuba, informou a SSP.

Segundo o delegado, Tiago também havia comprado, por meio de financiamento, aparelhos utilizados pelos criminosos no ataque de Ourinhos.

“O Tiago, através de laranjas, havia adquirido coletes usados pelos criminosos para ingresso no banco. As agências bancárias promovem como medida de segurança a liberação de gases para dificultar a respiração e a visão dos criminosos, então eles entram com equipamentos parecidos com os de mergulho e caverna”, explica o delegado.

Segundo a polícia, o mesmo lote dos respiradores localizados em Ourinhos foi apreendido em Botucatu, o que demonstra a participação de indivíduos da mesma organização criminosa nas duas ocorrências. Além disso, Tiago esteve em Ourinhos meses antes do ataque a agência da cidade.

Um registro da polícia mostra que a caminhonete que ele dirigia foi apreendida em uma operação por problemas na documentação.

“Também temos indícios da participação dele que ficaram robustos com apreensão de mais de 200 quilos de explosivos na capital, onde ele residia, Tiago era responsável pela guarda desses explosivos na zona norte”, continua a polícia.

De acordo com a polícia, o histórico criminal de Tiago também aponta um avanço da quadrilha, que tem praticado delitos cada vez mais graves, utilizando violência.

“O uso de drones, uso do material que é colocado os explosivos. Foi utilizado um sistema de explosivos através de telefone celular, acionado à distância, que felizmente não foi possível a detonação, mas percebemos um incremento por parte desse grupo criminoso”, garante Cledson.

A partir disso, a polícia continua a investigação. A ideia é identificar e prender os integrantes da quadrilha, além de identificar o patrimônio e investigar lavagem de capital. De acordo com a polícia, Tiago diz que toda sua fonte de renda vem do trabalho dele como personal e da academia que ele tem em São Paulo.

Além do Tiago, outras nove pessoas foram presas suspeitas de participarem do ataque em Botucatu e um suspeito foi morto no dia seguinte ao crime, durante troca de tiros com a polícia. A família do suspeito alega que ele é inocente e não participava da quadrilha.

A polícia também identificou no mês passado dois irmãos que seriam os chefes do bando. Desde o início das investigações, a polícia apreendeu um fuzil que foi jogado às margens da Rodovia Marechal Rondon e outras armas utilizadas na ação criminosa, carros blindados, munições e mais de R$ 1,6 milhão.

Fonte: Portal G1