10 julho 2026
Homem era conhecido pelo trabalho de panfletagem nos semáforos e pela simpatia com que conquistou moradores da cidade

Botucatu perdeu nesta sexta-feira, 10, uma de suas figuras mais conhecidas. Cássio Aparecido, de 61 anos, popularmente chamado de “Angolano do Farol” morreu durante um incêndio na madrugada, que atingiu a casa onde morava, no distrito de Rubião Júnior, nas proximidades do morro da Igrejinha.
Além da vítima, um cão que estava no imóvel também morreu carbonizado. As circunstâncias do incêndio ainda serão investigadas.
Conhecido por trabalhar há muitos anos distribuindo panfletos nos semáforos de Botucatu, o Angolano se tornou uma figura bastante popular na cidade. Sempre sorridente e bem-humorado, chamava a atenção pelo carisma e pelas imitações que fazia enquanto trabalhava, sendo reconhecido por milhares de motoristas.
Por trás da imagem alegre, porém, havia uma história marcada por dificuldades. Em 2017, uma mobilização promovida por moradores revelou as condições precárias em que vivia, em uma residência sem energia elétrica e sem água encanada.
Na ocasião, pessoas que estiveram em sua casa relataram que ele enfrentava problemas com alcoolismo, mas demonstrava o desejo de reconstruir a própria vida. Amigos conseguiram uma vaga para tratamento, mas ele demonstrava grande preocupação com sua cadela, que considerava sua principal companheira, e condicionava a internação à garantia de que o animal seria cuidado durante sua ausência.
A campanha mobilizou moradores de Botucatu e mostrou um lado pouco conhecido daquele personagem tão presente nos cruzamentos da cidade: o de um homem que enfrentava dificuldades, mas que nunca deixava de cumprimentar as pessoas com um sorriso.
A morte do Angolano do Farol representa a despedida de uma figura que marcou o cotidiano de Botucatu e cuja história também evidencia a importância do olhar para pessoas em situação de vulnerabilidade social.
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