João Mathias diz no Júri que não se lembra dos disparos no momento do crime

*notícia atualizada às 18h46

Foto Acontece Botucatu

Após ouvir 10 testemunhas na primeira parte do julgamento do ex-empresário João Mathias nesta quinta-feira, dia 23, os trabalhos foram reiniciados após pausa para o almoço com um dos momentos mais aguardados, o depoimento do próprio réu.

João Mathias passou a primeira parte do júri de cabeça baixa, em alguns momentos curvado, demostrando apatia. Ele foi chamado pelo juiz Henrique Alves Correia Latarola quando o relógio apontava 14h34.

Foi perguntado ao réu se ele conhecia ou tinha algo contra as testemunhas. Indagado sobre os fatos na hora do crime, disse lembrar de apenas algumas coisas. Citou apenas que chegou para almoçar, sem saber que mais tarde iria encontrar Sueli.

Acontece Botucatu

“Alguma parte me lembro, outra não. Fui lá para almoçar, já que ela me disse que estaria no plantão dela (a vítima era enfermeira). Chegando lá me deparei com minha noiva com outra pessoa. Mas eu não me lembro do que aconteceu. Não sei dizer de onde tirei isso. Se eu soubesse falaria, pois quem me conhece sabe que eu não era violento.

“Ela era tudo o que eu tinha, era o ar que eu respirava, a coisa mais importante que eu tinha. De repente vi ela dançando e se beijando com um rapaz, isso doeu, eu não imaginava que ela faria isso comigo” disse Mathias, que nesse momento interrompeu sua fala por uma crise de choro.

O Juiz Dr. Henrique insistiu nas perguntas sobre os disparos contra as vítimas e no período que compreende os crimes e o acidente após a fuga. “Não me lembro, só fui lembrar quando estava algemado com um monte de gente em cima de mim. Até na hora na delegacia eu estava atordoado”, disse.

Acontece Botucatu

O presidente do Tribunal do Júri leu dezenas de mensagens enviadas pelo réu ao celular da vítima Sueli Pereira, algumas ofensivas, com palavras de baixo calão, sempre com insinuações de que existia outra pessoa entre eles e com dizeres de ‘amor’ ou ‘eu te amo’, apesar das ofensas. Defesa e acusação ainda vão formular perguntas.

O representante do Ministério Público, parte acusatória, o Promotor Marcos José Corvino, falou ao Júri pelo tempo de 1 hora e meia. Sustentou que o réu sabia da presença da presença de Sueli Pereira na festa do Guarantã e que levou a arma do crime com o intuito de por fim ao caso comento o crime contra a ex-namorada e seu acompanhante na festa, Ademir Matias, também morto pelo ex-empresário.

O advogado José Roberto Pereira, defesa, explana nesse momento ao juri popular. Basicamente argumenta que o seu cliente agiu sob violenta comoção. Um forte aparato de Policiais Militares e seguranças ainda trabalha dentro e fora do Júri.

Atuam na defesa, além de José Roberto Pereira, a advogada Rita de Cassia Barbuio. Na acusação figura o Promotor Marcos José Corvino, sendo que a advogada Mariana Percário atua como assistente de acusação. O Tribunal do Júri está sendo presidido pelo Juiz titular da 2ª Vara Criminal, Dr. Henrique Alves Corrêa Latarola.