Funcionários do HC em Botucatu prestam depoimento sobre ácido achado em água para hemodiálise

Reprodução/TV TEM

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Botucatu (SP) começou a ouvir nesta sexta-feira (22) os funcionários do Hospital das Clínicas da Unesp sobre a contaminação da água usada no setor de hemodiálise com ácido. O depoimento estava previsto para quinta-feira (21), mas foi adiado.

Segundo a Polícia Civil, o alvo da investigação é justamente o setor de hemodiálise, onde há suspeita de sabotagem ou pelo menos de crime culposo.

“A equipe de investigação vai nos informar a dinâmica da movimentação das pessoas com os equipamentos e com os materiais. Precisamos antes de tudo entender tudo isso para depois fazer um contraponto com o laudo que vier da perícia”, explica Pires.

O laudo deve ficar pronto em 15 dias e a polícia tem um prazo de 30 dias para concluir o inquérito. A contaminação foi detectada no sábado, antes da primeira sessão do tratamento. A equipe do hospital identificou uma quantidade grande de ácido na água utilizada no processo de hemodiálise.

A médica nefrologista Pâmela Falbo dos Reis, responsável pela unidade, admitiu que, caso algum dos pacientes tivesse entrado em contato com o ácido, a reação poderia ser fatal.

Em nota, o Hospital das Clínicas informou que “está colaborando com as investigações para que o caso seja esclarecido”, e que “não tolera nenhum tipo de ação que coloque em risco a saúde pública”.

A unidade de hemodiálise do HC da Unesp de Botucatu tem 35 máquinas. Por dia, em média, 105 pacientes fazem a terapia. Aos domingos não são agendadas sessões.

Limpeza dos filtros

O ácido peracético é usado no processo de limpeza dos filtros e mangueiras usados na máquina de hemodiálise. Cada paciente possui seu kit. Depois de uma sessão, o material é higienizado com o produto e guardado com o ácido para evitar proliferação de fungos e bactérias.

Quando o paciente chega para uma nova sessão, o ácido é retirado totalmente do filtro e dutos com a água tratada. O processo é repetido várias vezes, e enquanto a água não ficar incolor após a colocação do reagente, os equipamentos não podem ser usados.

No processo de hemodiálise cada paciente usa 500 ml da água esterilizada por minuto. A terapia dura em média quatro horas.

A técnica de enfermagem Joana Julieta da Veiga, uma das responsáveis pela limpeza dos filtros, explicou que, ao fazer o teste no último sábado em vários filtros e até no sistema de água, o reagente identificou um tom amarelado. Isso significa, segundo ela, uma grande concentração de ácido usado para a desinfecção.

Fonte: Portal G1