Relatos apontam episódios de intolerância anteriores às eleições, intensificados após a votação de domingo (25). Polícia Militar esteve na unidade nesta terça-feira (27)

Denúncias de discriminação, intolerância e ataques pessoais envolvendo estudantes do Colégio La Salle de Botucatu ganharam repercussão entre segunda-feira (26) e esta terça-feira (27). Os relatos, obtidos pelo Acontece Botucatu junto a integrantes da comunidade escolar, apontam episódios de hostilidade contra alunos e professores, além da circulação de mensagens ofensivas em grupos de redes sociais. A direção da instituição informou que iniciou procedimentos internos de apuração.
Embora parte da repercussão esteja relacionada ao resultado das eleições presidenciais de domingo (25), os problemas relatados não teriam começado naquele momento. Segundo informações obtidas pela reportagem em conversas com estudantes, situações de desrespeito e ataques pessoais de cunho eleitoral já vinham ocorrendo anteriormente e teriam se intensificado após a votação.
Mensagens apresentam conteúdo discriminatório e ataques políticos
O Acontece Botucatu teve acesso a capturas de tela de conversas atribuídas a participantes de grupos de mensagens. O material apresenta manifestações depreciativas contra moradores da Bahia, referências ofensivas a práticas religiosas de matriz africana, ataques relacionados a questões de gênero e insultos motivados por posicionamentos políticos.
Em uma das conversas, uma mensagem dirigida a apoiadores de determinado partido político utiliza a expressão “tem que matar essa raça”. O conteúdo chama atenção pela referência à violência em meio a manifestações de hostilidade política.
Outras mensagens apresentam comentários preconceituosos relacionados à origem regional, à condição econômica e à religião. Não é possível afirmar, apenas com base nas imagens, que todos os episódios tenham ocorrido dentro da escola ou em grupos oficialmente vinculados à instituição.
Por envolver possíveis menores de idade, o Acontece Botucatu não divulgará nomes, fotografias, números de telefone ou outros elementos que permitam identificar os estudantes mencionados.
Polícia Militar esteve na escola durante a saída dos alunos
A repercussão das denúncias também foi acompanhada pela presença da Polícia Militar no Colégio La Salle durante a saída dos estudantes nesta terça-feira (27). A presença dos policiais ocorre em meio à preocupação de integrantes da comunidade escolar com os acontecimentos relatados.
Até o momento, não há informação confirmada sobre a motivação específica do deslocamento da equipe policial ou sobre eventual intervenção relacionada diretamente às denúncias, mas há relatos de ameaças de alunos de outras escolas, que tomaram as dores das vítimas dos ataques.
A Polícia Civil, por sua vez, informou à reportagem que ainda não havia recebido registro de ocorrência relacionado ao caso até o momento da consulta.
Colégio La Salle informa que iniciou apuração interna
Em nota oficial divulgada nesta terça-feira (27), a direção do Colégio La Salle Botucatu informou que, assim que tomou conhecimento dos relatos, iniciou procedimentos internos para apuração e adoção das medidas cabíveis.
A instituição também declarou que já realizou ações de acolhimento e acompanhamento junto aos estudantes e familiares envolvidos. Segundo a direção, a segurança, a integridade e o bem-estar dos alunos são prioridades da escola.
O colégio esclarece ainda que os procedimentos internos e eventuais sanções são mantidos sob sigilo, em razão da proteção legal de menores de idade e da necessidade de preservar os envolvidos, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Na manifestação oficial, a direção reafirmou seu compromisso com a promoção do respeito, do diálogo e da cultura da paz, repudiando qualquer forma de violência, ameaça ou discriminação.
A nota não apresenta conclusões sobre a autoria das mensagens nem informa quais fatos já foram esclarecidos pela apuração interna.
Episódios levantam preocupação sobre convivência escolar
As denúncias colocam em discussão questões que ultrapassam as divergências políticas e envolvem o respeito às diferenças, a convivência entre estudantes e a segurança de profissionais da educação.
Manifestações discriminatórias relacionadas à origem, religião ou orientação sexual podem ter consequências jurídicas, dependendo do conteúdo, das circunstâncias e da identificação dos responsáveis.
Da mesma forma, situações de intimidação sistemática, inclusive no ambiente digital, podem caracterizar bullying ou cyberbullying, conforme os requisitos previstos na legislação.
A eventual responsabilização depende da apuração individualizada das condutas. No caso de adolescentes, devem ser observadas as disposições do Estatuto da Criança e do Adolescente.
O ambiente escolar também exige atenção à prevenção de conflitos, ao acolhimento das pessoas atingidas e à construção de relações baseadas no respeito, independentemente de posicionamentos políticos ou convicções pessoais.
Caso segue em acompanhamento
O Colégio La Salle informou que os procedimentos internos estão em andamento e que adotou medidas de acolhimento aos envolvidos.
O Acontece Botucatu continuará acompanhando os desdobramentos, incluindo eventuais registros policiais e novas manifestações da instituição e das autoridades.