05 maio 2026
Estrutura com poucos lugares deve agilizar audiências de custódia em Botucatu, evitando riscos e deslocamentos contínuos para Itatinga

Botucatu passou a contar, a partir desta terça-feira (5), com uma Central de Custódia voltada ao atendimento de pessoas detidas, especialmente em casos de menor potencial ofensivo. Conforme apurou o Acontece Botucatu, a estrutura foi implantada junto ao plantão policial, no Bairro Alto, com capacidade reduzida em caráter provisório.
O objetivo é manter os detidos no próprio município até a realização da audiência de custódia, etapa obrigatória em até 24 horas após a prisão, quando a Justiça decide pela liberação ou manutenção da detenção.
Antes da implantação da central, os presos eram encaminhados para a Cadeia Pública de Itatinga e, no dia seguinte, retornavam a Botucatu para a audiência judicial, o que envolvia custos, logística e riscos durante o transporte.
De acordo com o delegado seccional de Botucatu, Dr. Lourenço Talamonte, a criação da Central de Custódia segue diretrizes legais e busca dar mais eficiência ao processo.
“A apresentação da pessoa presa à autoridade judicial em até 24 horas é uma garantia constitucional, e a central vem para padronizar e otimizar esse procedimento”, afirmou.
Ele também destacou o ganho operacional com a nova estrutura.
“Antes, havia deslocamento até Itatinga, com riscos de acidente, fuga ou até resgate. Agora, conseguimos fazer todo o processo aqui mesmo em Botucatu, com mais segurança e praticidade”, explicou.
Segundo o delegado, a iniciativa fortalece a integração entre as instituições envolvidas.
“A central permite uma atuação mais coordenada entre Polícia Civil, Polícia Militar, Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública, o que torna o sistema mais eficiente”, pontuou.
As audiências de custódia passam a ser realizadas por videoconferência, diretamente de Botucatu, dentro do modelo de plantão regionalizado. “Hoje conseguimos realizar as audiências aqui mesmo, o que garante mais agilidade e também melhores condições de trabalho para os profissionais envolvidos”, disse.
Ainda conforme Talamonte, a medida também representa economia de recursos. “Diante da redução do efetivo, era necessário buscar soluções que otimizassem o trabalho. Essa central vem justamente nesse sentido”, completou.
Não é cadeia
A Central de Custódia funciona em regime ininterrupto e não se caracteriza como unidade prisional definitiva, sendo utilizada exclusivamente para permanência temporária até a decisão judicial.
“Não é cadeia. Ninguém vai cumprir pena aqui. A pessoa fica apenas até a audiência de custódia e, depois disso, ou é liberada ou encaminhada ao sistema penitenciário”, explicou.
A implantação foi bem avaliada já no primeiro dia de funcionamento. “Foi o primeiro dia e tudo correu bem. É uma mudança importante, que torna o processo mais prático, seguro e adequado para todos”, finalizou.
O juiz corregedor da Polícia Judiciária da Comarca de Botucatu, Josias Martins de Almeida Junior, encaminhou ofício à Delegacia Seccional parabenizando a implantação da Central de Custódia no município.
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