Vacina brasileira da covid-19 em spray pode chegar em 2021

 

Spray: aplicação de vacinas por sprays já foi testada ainda em 2009, com uma vacina contra a gripe H1N1 (Joe Raedle / Equipe/Getty Images)

Um grupo de pesquisa da Faculdade de Medicina e Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) está animado com o avanço do desenvolvimento de uma vacina brasileira em formato de spray nasal para imunizar as pessoas contra o novo coronavírus. Nos últimos testes, os resultados da fórmula da desenvolvida pela USP em parceria com o Instituto do Coração (InCor) foram positivos. Se tudo correr como planejado, a vacina pode estar disponível já em 2021.

O diferencial da terapia de imunização brasileira em relação a outras vacinas que estão sendo criadas no mundo, como a desenvolvida na Universidade de Oxford, no Reino Unido, ou a produzida pelo laboratório chinês Sinovac, é que a vacina nacional não será aplicada em forma de injeção. Em vez disso, será administrada com o uso de um spray posicionado no interior das narinas. A ideia é permitir uma ação mais rápida do composto imunológico.

“A vacina aplicada por um spray nasal permite a criação dois tipos de anticorpos e não somente aquele criado quando a vacina é administrada por injeção”, explica Marco Antonio Stephano, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e responsável pelo projeto, em entrevista para a EXAME. Segundo o especialista, a aplicação intranasal permite que a vacina chegue nas vias aéreas superiores e nos pulmões, o que faz com que o sistema imunológico atue já no começo da infecção.

Quando estiver pronta, o que pode acontecer no segundo semestre de 2021, a vacina deverá ser administrada em quatro doses (duas em cada narina) com um intervalo de alguns dias entre as aplicações. Isso permite que o composto de nanopartículas possa permanecer tempo suficiente no organismo do paciente, ao ser acoplado na mucosa nasal, para fortalecer o sistema imunológico no combate ao vírus SARS-CoV-2.

Por enquanto, a vacina brasileira ainda está na fase de testagem pré-clínica. Isso significa que os testes das fases 1 e 2 ainda não começaram. A primeira fase de avaliações clínicas deve ser iniciada até o fim de novembro. Se ocorrer como planejado, a segunda fase seria iniciada entre os meses de janeiro e fevereiro de 2021. A terceira fase viria em seguida. É nesta etapa, quando a vacina é aplicada em milhares de pessoas, que muitos projetos naufragam.

Num cenário otimista, em que a vacina possa ser aprovada em todos os testes clínicos necessários e receba o parecer positivo dos órgãos de saúde, os pesquisadores esperam que a terapia de imunização desenvolvida no Brasil possa estar pronta em junho do ano que vem. Dessa forma, o spray nasal contra a covid-19 só chegaria para a população após as vacinas injetáveis, que podem ser disponibilizadas no mercado brasileiro já em dezembro.

“O desenvolvimento é um pouco mais lento do que a vacina injetável porque até hoje existem poucas vacinas aplicadas em forma de spray nasal”, diz Stephano. O pesquisador se refere principalmente à FluMist Quadrivalent, vacina produzida pela farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca – que é parceira da Universidade de Oxford na produção de um soro contra a covid-19. A FluMist é aplicada por spray nasal e protege contra o vírus influenza.

Vale lembrar que a vacina em formato de spray também foi utilizada para a imunização do vírus H1N1, nos Estados Unidos. Foi em 2009, durante o surto de gripe suína. Na ocasião, o soro foi produzido pela MedImmune, uma unidade da AstraZeneca.

Já as vacinas que estão sendo desenvolvidas para serem injetadas por seringas e que estão na terceira fase de testes ou que até já têm previsão para serem disponibilizadas, como no caso da vacina russa, o processo de formulação é mais simples. A de Oxford, por exemplo, utiliza como base a criação de imunizantes contra a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS).

Fonte: Site da Exame