Embraer quer ressarcimento da Boeing após rompimento de acordo

O acordo comercial entre Embraer e Boeing, que pagaria US$ 4,2 bilhões por 80% da unidade de aviação comercial da companhia brasileira, foi desfeito. Na manhã de sábado, a companhia americana informou que rescindiu o contrato resultante das tratativas que se desenrolavam desde o fim de 2017, que resultariam na constituição de uma empresa controlada pela Boeing na área de aviação comercial e outra na área de defesa, para promoção do cargueiro militar KC-390 (rebatizado para C-390 Millenium) com participação majoritária da Embraer.

Em nota, a Boeing lembra que 24 de abril de 2020 havia sido estabelecido como data limite para consumação do negócio, porém com possibilidade de extensão do prazo por qualquer parte se determinadas condições tivessem sido cumpridas. “A Boeing exerceu seu direito de rescindir, após a Embraer não ter atendido as condições necessárias”, informou.

A Embraer discorda dos termos da ruptura e deve buscar ressarcimento. Em posicionamento divulgado horas depois, a fabricante de aviões brasileira informou que a ex-futura sócia recorreu a alegações falsas para evitar o fechamento da operação e o desembolso bilionário.

“A Embraer acredita firmemente que a Boeing rescindiu indevidamente [o acordo] e fabricou falsas alegações como pretexto para tentar evitar seus compromissos de fechar a transação e pagar à Embraer o preço de compra de U$ 4,2 bilhões”, informou a companhia brasileira. Segundo a Embraer, a Boeing “adotou um padrão sistemático de atraso e violações repetidas [ao acordo], devido à falta de vontade em concluir a transação, sua condição financeira, ao 737 Max e outros problemas comerciais e de reputação”.

Fonte: Valor Investe