Brasil é segundo maior mercado da Uber no mundo

Com faturamento de aproximadamente 959 milhões de dólares em 2018 (cerca de R$ 3,76 bilhões), e com cerca de 600 mil motoristas cadastrados na plataforma distribuídos em mais de 100 cidades, a multinacional de transporte individual por aplicativo tem no país um mercado promissor e rentável, com 22 milhões de usuários.

Os dados relativos a motoristas e número de cidades estão disponíveis no site da empresa denominado “Fatos e Dados sobre a Uber”.

Segundo o relatório apresentado às autoridades americanas, o faturamento da Companhia no Brasil quadruplicou de 2016 a 2018, passando de 236 milhões para 959 milhões de dólares, uma progressão impressionante que demonstra o grande potencial de mercado.

Os dados só se tornaram mais visíveis graças à necessidade da Uber de apresentar documentação para realizar seu processo de IPO (Initial Public Offering), sigla para Oferta Pública Inicial (ou OPI). Como o próprio nome diz, será a primeira vez que a gigante americana venderá ações para o público na bolsa de valores de Nova Iorque.

Os dados do Brasil, revelados agora pela própria Uber, impressionam. Mais particularmente os relativos a São Paulo.

Segundo o relatório encaminhado para o processo de IPO, em 2018 uma em cada quatro (24%) das viagens da Uber tiveram origem em cinco áreas metropolitanas. Dentre elas, se encontra a região metropolitana de São Paulo: nos Estados Unidos estão Los Angeles, Nova York e a área da baía de São Francisco; Londres, no Reino Unido; e a área metropolitana de São Paulo.

São Paulo integra uma rede de 10 centros de suporte global que apoiam as operações em todo o mundo, ao lado de Chicago (EUA), Phoenix (EUA), Limerick (Irlanda), Cracóvia (Polônia), San José (Costa Rica), Hyderabad (Índia), Manila (Filipinas), Lisboa (Portugal) e Cairo (Egito). No total, esses centros contam aproximadamente 5.400 funcionários e 400 contratados independentes, que fornecem suporte 24 horas por dia, sete dias por semana, para usuários de plataformas nos Estados Unidos e em outros países.

No total, a Uber se gaba de estar presente em 6 continentes, em mais de 700 cidades, oferecendo 3 plataformas de serviços, com 14 milhões de viagens por dia. Ainda segundo o relatório, os motoristas da plataforma ganharam mais de US$ 78,2 bilhões (cerca de 306 bilhões de reais) desde 2015, “além de US$ 1,2 bilhão em gorjetas (4,7 bilhões de reais) desde que introduzimos o direcionamento no aplicativo para os motoristas em julho de 2017”.

PREOCUPAÇÃO COM AÇÕES NA JUSTIÇA

Citando o Brasil, a Uber descreve em seu relatório que um número crescente de governos está aplicando as leis de concorrência e está fazendo isso com maior escrutínio, “incluindo governos em grandes mercados como União Europeia, Estados Unidos, Brasil e Índia, particularmente em torno de questões de preços predatórios, fixação de preços e abuso de poder do mercado. Muitas dessas jurisdições também permitem que concorrentes ou consumidores façam reivindicações de condutas anticompetitivas”.

Recentemente a “Uber Juntos”, modalidade em que passageiros da empresa andam no mesmo carro coletivamente, com pontos de embarque pré-determinados pelo aplicativo no momento da solicitação, passou a ser preocupação entre as companhias de ônibus de todo o Brasil.

Como o Diário do Transporte relatou em diversas oportunidades, várias associações sindicais representativas de empresas do transporte coletivo acionaram as agências gerenciadoras de transporte das cidades onde operam contra a Uber.

Dentre os casos noticiados, cabe relembrar, em fevereiro deste ano, o do SETERGS – Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio Grande do Sul e da ATM – Associação dos Transportadores Intermunicipais Metropolitanos de Passageiros, que  protocolaram na Metroplan um documento pedindo que a modalidade seja proibido na região Metropolitana de Porto Alegre e demais regiões do Estado. Relembre: Empresas de ônibus do Rio Grande do Sul pedem que Metroplan e MP proíbam “Uber Juntos”

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) protocolou no final de 2018 uma carta à prefeitura da capital mineira onde afirma que o novo tipo de serviço prestado pelas empresas é exclusivo dos ônibus, configurando, portanto, transporte clandestino. Relembre: Empresas de ônibus de BH se manifestam contra modalidade “Uber Juntos”

Em dezembro de 2018, as empresas de ônibus que integram o SPUrbanuss – Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo, que reúne as companhias de ônibus do subsistema estrutural da capital paulista, se reuniriam com o DTP – Departamento de Transportes Públicos para discutir o assunto e alegaram que o “Uber Juntos” trava uma concorrência desleal por não terem de seguir as mesmas obrigações contratuais e trabalhistas das viações , mas fazer um serviço de “lotação”. Relembre: Empresas de ônibus de São Paulo se reúnem com prefeitura e pedem providências quanto ao “Uber Juntos”

A NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), entidade que reúne mais de 500 viações, informou que as empresas de ônibus já perderam 5% dos passageiros para aplicativos como Uber e 99 em algumas cidades do Brasil.

Segundo o presidente executivo da NTU, Otávio Cunha, o setor de transporte público é fortemente regulado e as novas modalidades de transporte por aplicativo são uma concorrência “predatória”.

Na visão de Cunha, permitir as modalidades Uber Juntos e Pool + seria o mesmo que decretar o fim do setor de transporte coletivo, que já acumula perda de 25% dos passageiros de 2014 a 2017.

Relembre: Empresas de ônibus dizem que já perderam 5% dos passageiros para aplicativos

INSEGURANÇA E RISCO NO BRASIL

Enquanto várias cidades brasileiras estão investindo em tecnologia para, entre outras coisas, reduzir o pagamento em dinheiro dentro dos ônibus, visando aumentar a segurança, a Uber se queixa justamente das consequências que enfrenta no Brasil após franquear essa funcionalidade para seus clientes.

Além do receio da insegurança, a Uber teme medidas regulatórias relativas ao uso do dinheiro no pagamento das corridas: “Em certas jurisdições, permitimos que os consumidores paguem por viagens e entregas de refeições [Uber Eats] usando dinheiro, o que gera inúmeras preocupações regulatórias, operacionais e de segurança. Se não administrarmos com sucesso essas preocupações, poderemos ficar sujeitos a ações regulatórias adversas e sofrer danos à reputação ou a outras consequências financeiras e contábeis adversas”.

Em 2018, segundo a multinacional, as viagens pagas em dinheiro representavam quase 13% das Reservas Brutas globais da Uber.

O Brasil é então citado no relatório, como local onde “graves incidentes de segurança que resultaram em roubos e ataques violentos e fatais em motoristas durante o uso de nossa plataforma foram relatados”.

A Uber conclui: “Se não formos capazes de lidar adequadamente com qualquer dessas preocupações, poderemos sofrer danos significativos à reputação, o que poderá afetar negativamente nossos negócios”.

SEM REINVESTIR LUCROS

Quanto aos lucros auferidos pela atividade, a Uber afirma que pretende reinvestir indefinidamente os lucros em todas as subsidiárias. No caso do Brasil, segundo a Companhia, serão reinvestidos apenas os lucros acima de US$ 500 milhões, isso porque a Uber não espera incorrer em impostos adicionais substanciais relacionados à repatriação de lucros do país até esse montante.

Fonte: Diário do Transporte / ALEXANDRE PELEGI