Usina São Manoel é destaque em reportagem nacional

Localizada no interior na região de Botucatu, a usina São Manoel moeu 3,4 milhões de toneladas de cana em 2020, alcançando receita de R$ 670,3 milhões. Para 2021, a meta é atingir R$ 870 milhões.

Uma das melhores metáforas para retratar o setor sucroenergético em 2020 é a montanha-russa. O ano começou com expectativa de bons resultados. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetava expansão de 3,5% na safra de cana-de-açúcar, para 665,1 milhões de toneladas.

Três meses depois, o isolamento social em decorrência da Covid-19 trouxe preocupação para o setor, que passou a trabalhar com a hipótese de um baque significativo do consumo de etanol. Mas, no segundo semestre o receio não se concretizou e, mesmo com uma seca intensa no Centro-Sul do País, o setor fechou a temporada com 654,8 milhões de toneladas de cana colhidas, 1,8% acima da safra anterior.

Boa parte foi para a produção de açúcar. Resultado positivo, mas longe de qualquer recorde. Para a Usina São Manoel, que investiu em tecnologia e gestão, o ano foi histórico. O grupo do interior paulista teve em 2020 um resultado superlativo em produtividade e receita.

Para promover o crescimento mesmo diante de um cenário externo adverso, o presidente do Conselho de Administração, Pedro Dinucci e seu time apostaram em tecnologia na evolução de boas práticas ESG (ambiental, social e de governança). “Quem quer ganhar espaço tem que ir além da busca por receita. O mercado mudou e é preciso inovar”, afirmou Dinucci.

A empresa criou uma corporate venture capital, a São Manoel Labs, dedicada a mapear e conectar startups que ajudem a empresa em pontos cruciais para o crescimento. Estão previstos investimentos de R$ 1,2 milhão em agtechs (startups do agronegócio) que atuem, principalmente, em frentes como meteorologia, controle de eficiência de equipamentos, gestão de dados, inteligência artificial e medição de resultados.

PEDRO DINUCCI EMPRESA: Usina São Manoel. CARGO: Presidente do Conselho de administração. DESTAQUES DA GESTÃO: A relação com a inovação como diferencial competitivo, entrada no mercado de capitais com a emissão do primeiro CRA Verde e evolução nas políticas de sustentabilidade. (Crédito:Divulgação)

Algumas das soluções já estão implementadas. Na lavoura, uma nova tecnologia meteorológica permite avaliar o aspecto climático em vários pontos distribuídos pelo canavial. Os dados possibilitaram entrar mais cedo em campo para trabalhar e ajustar a operação. Já na moenda foi adotado um sistema que permite aos técnicos uma leitura em tempo real do que está acontecendo para fazer melhorias mais precisas e com maior agilidade. “Se antes as correções eram feitas a cada hora, hoje podem ser feitas minuto a minuto”, afirmou o executivo. “Tudo isso aumenta a capacidade de gerar resultados mais substanciais, porque a empresa perde menos.”

Ainda que fale com entusiasmo dos números, Pedro Dinucci não esconde que os pilares sociais e ambientais têm espaço cativo em sua agenda. “A sustentabilidade é a evolução do modelo de gestão”, afirmou. Para comprovar que o compromisso é real e não simples narrativa mercadológica, faz questão que a Usina obtenha certificados e selos já que sua obtenção está associada à verificação de ações e resultados por terceiros. Esse cuidado rendeu à empresa outro prêmio no anuário AS MELHORES DA DINHEIRO 2021: o de melhor Governança Corporativa (confira a reportagem à página 30). Outros títulos reconhecem boas práticas em sustentabilidade na lavoura, na produção do açúcar e do etanol, no trabalho realizado com a comunidade e também com os funcionários como o recém-conquistado prêmio Lugares Incríveis para Trabalhar, conferido pela Fundação Instituto de Administração (FIA).

“Quem quer ganhar espaço tem que ir além da busca por receita. O mercado mudou e é preciso inovar” Pedro Dinucci, presidente do Conselho de Administração.

Para o futuro, as perspectivas são otimistas. A Usina espera fechar o atual exercício com receita de R$ 870 milhões, margem Ebitda de R$ 590 milhões e caixa livre de R$ 156 milhões. Todos maiores do que o exercício passado, o que, caso realizado, trará novo recorde para o grupo. Já em uma janela de tempo um pouco maior, os planos são entrar na geração de energia – o racional já está pronto, mas a pandemia atrasou a implementação – e atingir a plena capacidade de moagem de 4,1 milhões de toneladas. Pelo andar da carruagem, 2020 só foi mais um dos melhores anos que a companhia celebrará nesta década.

Fonte: Isto É Dinheiro