24 fevereiro 2026
Com investimento de R$ 4,5 milhões, projeto coordenado pela UPECLIN/FMB vai mapear infraestrutura, profissionais e capacidade regulatória dos centros de pesquisa clínica em todo o país, criando base de dados inédita para orientar políticas públicas e fortalecer o SUS.

A Unidade de Pesquisa Clínica da Faculdade de Medicina de Botucatu (UPECLIN/FMB) consolida sua posição como centro de inteligência estratégica ao assumir a liderança de um projeto pioneiro que realizará o mais abrangente diagnóstico situacional dos Centros de Pesquisa Clínica do país. Com investimento de R$ 4,5 milhões, aportados pelo Ministério da Saúde e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o estudo visa sanar uma lacuna histórica da pesquisa clínica nacional: a inexistência de um banco de dados unificado e fidedigno sobre a infraestrutura científica do país.
Desenvolvido ao longo de 24 meses, o projeto busca criar uma base de dados inteligente sobre a infraestrutura nacional e a força de trabalho no setor, em consonância com as diretrizes do Programa Nacional de Pesquisa Clínica (PNPC 4.0). As informações vão apoiar o planejamento e o fortalecimento da pesquisa clínica no país. A UPECLIN/FMB será responsável por coordenar o levantamento e a catalogação dos centros ativos em todo o território nacional.
Ao longo de 24 meses, o projeto vai construir uma base de dados nacional sobre a infraestrutura científica e os profissionais da pesquisa clínica no Brasil, em consonância com o Programa Nacional de Pesquisa Clínica (PNPC 4.0). As informações vão apoiar o planejamento e o fortalecimento da pesquisa clínica no país.
A iniciativa é coordenada pelo Professor Carlos Antonio Caramori, docente da FMB/Unesp. Segundo ele, o projeto vai além de um simples levantamento quantitativo. “Não queremos apenas saber onde estão nossos centros de pesquisa, mas entender verdadeiramente suas potencialidades e desafios. Este projeto nasce da necessidade de conhecermos com precisão a capacidade instalada do país para desenvolvimento de novos medicamentos, tecnologias e tratamentos”, afirma.
O caráter estratégico da iniciativa também é destacado por Natália Bronzatto Medolago, coordenadora executiva do projeto e gerente de projetos da UPECLIN/FMB. “Hoje, o Brasil não dispõe de uma base regulatória estruturada que estabeleça parâmetros claros para que instituições de saúde se qualifiquem como centros de pesquisa clínica. O mapeamento permitirá avaliar se essas instituições contam com estrutura física, recursos humanos e processos adequados para conduzir estudos com segurança e qualidade. Esse diagnóstico não apenas fortalece a infraestrutura existente, mas também subsidia a criação de políticas públicas e posiciona o país de forma mais competitiva no cenário global de pesquisa”.
Diagnóstico e Geotecnologia
O projeto está estruturado em três eixos centrais. O primeiro deles diz respeito ao diagnóstico da infraestrutura e da capacidade regulatória dos centros de pesquisa clínica. Mais do que uma listagem, o estudo realizará uma análise detalhada das condições estruturais, operacionais e gerenciais dessas instituições, considerando requisitos regulatórios da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e padrões internacionais. Esse diagnóstico permitirá ao país conhecer sua real capacidade para a condução de estudos clínicos em diferentes fases (I, II, III e IV).
O segundo eixo é voltado à valorização do capital humano. Pela primeira vez, será realizado um levantamento quantitativo e qualitativo da força de trabalho em pesquisa clínica no Brasil, incluindo formação, áreas de atuação e condições de capacitação dos profissionais envolvidos diretamente na execução dos estudos.
O terceiro eixo do projeto incorpora ferramentas de inteligência geográfica e apoio à decisão estratégica. Por meio de um Sistema de Informações Geográficas (SIG), os dados dos centros de pesquisa serão integrados a indicadores socioeconômicos e de saúde. O resultado será uma plataforma interativa de consulta pública, que permitirá a gestores, pesquisadores, formuladores de políticas públicas e demais atores do ecossistema da pesquisa clínica nacional — incluindo instituições públicas, privadas e indústria — uma tomada de decisão baseada em evidências concretas.
O Professor Raul Borges Guimarães, docente do Departamento de Geografia da Unesp, campus de Presidente Prudente, liderará essa vertente. “Através da análise espacial, poderemos correlacionar a localização dos centros de pesquisa com diversos indicadores socioeconômicos e de saúde. Isso nos permitirá identificar não apenas onde estão as lacunas, mas também onde estão as maiores oportunidades para desenvolvimento. É uma abordagem que transformará a maneira como planejamos e implementamos pesquisas clínicas no Brasil”, prevê Guimarães.
Banco de dados
O projeto não resultará apenas em um relatório estático. Uma das entregas mais aguardadas é a criação de um repositório interativo e atualizável a ser disponibilizado ao Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (Decit/SCTIE), instância responsável pela coordenação da iniciativa no âmbito do Ministério da Saúde. Tecnicamente, os dados serão disponibilizados por meio de uma API (Interface de Programação de Aplicações) no modelo REST, permitindo a integração do banco de dados a sistemas nacionais existentes e garantindo maior interoperabilidade, atualização contínua e acesso qualificado às informações sobre os centros de pesquisa clínica no país.
O documento técnico final servirá como bússola para o governo federal na criação de políticas de incentivo, na descentralização da pesquisa clínica e na democratização do acesso a novos tratamentos. “Estamos construindo uma infraestrutura de dados que permitirá ao Brasil planejar o futuro da pesquisa clínica e da saúde de forma mais estratégica e baseada em evidências”, resume Caramori.
Parcerias Estratégicas
Coordenado pela FMB/Unesp, o projeto conta com parcerias da Fundação Oswaldo Cruz de Mato Grosso do Sul (FIOCRUZ-MS), Associação Brasileira de Organizações Representativas de Pesquisa Clínica (ABRACRO) e Associação Brasileira de Centros de Pesquisa Clínica (ACESSE), consolidando uma rede de cooperação técnica em prol da soberania científica nacional. “Estamos comprometidos em elevar a posição do país internacionalmente, alinhando a pesquisa clínica às necessidades reais da população”, afirma Fernando de Rezende Francisco, gerente executivo da ABRACO.
O Professor Julio Henrique Rosa Croda (FIOCRUZ-MS) destaca o impacto do projeto para garantir que as pesquisas contemplem as diversas realidades epidemiológicas da população brasileira. “Este mapeamento será fundamental para democratizar o acesso à pesquisa clínica no Brasil. Precisamos garantir que as diferentes realidades e necessidades de saúde de nossa população sejam contempladas nos estudos clínicos. É uma oportunidade única de alinhar a pesquisa clínica com as prioridades do Sistema Único de Saúde”.
A atuação da UPECLIN/FMB neste projeto fornece subsídios técnicos e estratégicos para o aprimoramento da governança da pesquisa clínica no Brasil, em alinhamento com o Programa Nacional de Pesquisa Clínica (PNPC 4.0). Ao centralizar essas informações, a unidade facilita a tomada de decisão para investimentos no Complexo Econômico e Industrial da Saúde, permitindo que a indústria farmacêutica e o SUS identifiquem com precisão onde realizar estudos de alta complexidade. No setor produtivo, a transparência de dados deve acelerar a chegada de tratamentos ao mercado. “A indústria farmacêutica nacional terá uma visão clara das capacidades instaladas, reduzindo custos e tempo de desenvolvimento”, pontua Caramori.
Assessoria de Comunicação e Imprensa – ACI/FMB
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