29 julho 2026
Animais são monitorados 24 horas por dia para identificar aqueles que consomem menos alimento sem comprometer o desempenho

A primeira Prova de Eficiência Alimentar de Bubalinos está sendo realizada no Centro de Pesquisas Tropicais em Bubalinos (CPTB), da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp, em Botucatu. A avaliação busca identificar animais capazes de consumir menos alimento sem apresentar redução no ganho de peso e no desempenho produtivo.
A iniciativa reúne machos com aptidão para produção de leite e carne, provenientes de duas propriedades rurais. Cada animal recebeu um brinco de radiofrequência, que permite o acompanhamento individual durante 24 horas por dia.
Equipamentos instalados no confinamento registram, em tempo real, as entradas nos cochos e bebedouros, a quantidade de alimento e água consumida e o comportamento de cada bubalino.
“Os animais são monitorados 24 horas por dia. Cada vez que entram no cocho, consomem alimento, bebem água ou apenas acessam os equipamentos, os dados são captados em tempo real”, explicou Caroline de Lima Francisco, pesquisadora do CPTB.
Antes da fase oficial de mensuração, iniciada em 27 de junho, os animais passaram por um período de adaptação às instalações, à alimentação e aos equipamentos eletrônicos. Também foram submetidos a pesagens, medidas biométricas, coletas de sangue e pelos e exames de ultrassonografia de carcaça.
Ao final da prova, os pesquisadores vão cruzar dados relacionados ao consumo de água e matéria seca com o ganho de peso. A análise permitirá comparar animais com porte e desempenho semelhantes, mas que necessitam de quantidades diferentes de alimento.
“A prova funciona como um raio X. Ela mostra que animais aparentemente iguais, com o mesmo porte e ganho de peso, podem apresentar consumos completamente diferentes”, afirmou Caroline.
Segundo a pesquisadora, a alimentação pode representar entre 60% e 70% dos custos de uma propriedade. A identificação de animais mais eficientes poderá auxiliar na seleção de futuros reprodutores, na comercialização de tourinhos e sêmen e na formação de rebanhos mais produtivos, com menor custo alimentar.
Os dados serão incorporados ao Programa de Avaliação Genética da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB). A prova também conta com a participação do Instituto de Zootecnia (IZ) e da Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf).
A etapa de avaliação será encerrada no fim de agosto, quando serão realizadas novas pesagens, medidas biométricas e ultrassonografias. A divulgação dos resultados está prevista para 30 de agosto. Uma segunda edição já é planejada para 2027.
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