Unesp cria rede para monitoramento de variantes do coronavírus

Com o objetivo de monitorar a presença e o deslocamento das novas variantes do coronavírus no estado de São Paulo, a Unesp criou uma Rede de Vigilância Genômica (Vigenômica). A iniciativa será implantada nas regiões dos municípios que abrigam unidades da Unesp, de forma a aproveitar a capilaridade da instituição no estado.

O estado de São Paulo e diversas outras regiões do Brasil vivem um dos piores momentos na pandemia, com repique na alta dos casos e óbitos por Covid-19 e surgimento de variantes do vírus de maior potencial contagioso. Soma-se a esse cenário, a lentidão no processo de vacinação e a ausência de medicamentos que possam mitigar os efeitos da doença.

“Nosso objetivo com o estabelecimento da Vigenômica é desenvolver e implementar protocolos para monitorar as variantes do vírus SARS-CoV-2, permitindo verificar a sua presença e deslocamento no interior do estado de São Paulo”, explica a professora Célia Regina Nogueira, presidente do Comitê Científico da Unesp, que desde o início do ano vem estruturando a criação da rede.

A coordenação da Rede ficou a cargo do professor Jayme Augusto de Souza Neto, coordenador da área de Biologia Molecular do Laboratório Central Multiusuários (LACEM) e do Laboratório de Genômica Funcional da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, câmpus de Botucatu. Na vice-coordenação está a professora Rejane Maria Tommasini Groto, também da FCA, e responsável pelo Laboratório de Biologia Molecular do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), o que facilitará o trabalho integrado entre os laboratórios.

Segundo o professor Souza Neto, a atuação deve começar na região de Botucatu, com análises feitas pelo Laboratório de Biologia Molecular do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, e de forma gradual se expandir para outros municípios que abrigam unidades da Unesp. Expansão semelhante já foi realizada com sucesso no estabelecimento da rede de teste para diagnóstico da Covid-19, ainda nas primeiras semanas da pandemia.

“A Unesp tem um protagonismo no diagnóstico da Covid-19 no estado de São Paulo e é natural continuarmos o trabalho para o melhor entendimento do percurso das novas variantes”, explica o docente, lembrando que a iniciativa vai exigir investimentos e parcerias com setor público e privado para captação de recursos.

A rede de diagnóstico criada pela Unesp no início da pandemia conectou diversos laboratórios da Universidade e de parceiros no estado de São Paulo. Os resultados têm fornecido dados úteis para secretarias de saúde e vêm alimentando outra iniciativa da Unesp, o Radar Covid-19, que monitora o avanço da doença, principalmente no interior do estado.

Segundo a professora Rejane Maria Tommasini Groto, os dados obtidos pelas redes de diagnóstico e de vigilância genômica são aliados importantes no combate à pandemia. “Ao sequenciar as variantes que estão circulando no estado, nós fornecemos informações importantes para tomadas de decisões estratégicas em Saúde Pública pelo SUS ou prefeituras, por exemplo”, destaca a vice-coordenadora da Vigenômica.

O reitor Pasqual Barretti autorizou a transferência de recursos para o começo da iniciativa e ressaltou a sua importância. “A Unesp torna-se pioneira ao estabelecer a primeira rede de monitoramento das variantes do coronavírus no interior do estado de São Paulo”, afirma o reitor. A princípio, a rede contará com a parceria das prefeituras de Botucatu e Araraquara e o apoio da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FcFar) e do HC-FMB, responsáveis pelas análises das amostras.