10 junho 2026
Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária aprova por unanimidade resolução que destina um terço das vagas para ingresso por concurso público na carreira acadêmica

O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária (Cepe) da Unesp aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (9), a criação de uma política de reserva de vagas para pessoas pretas, pardas e indígenas (PPI) nos concursos públicos para ingresso na carreira docente da universidade.
Pela nova regra, um terço das vagas abertas para contratação de professores será destinado a candidatos negros e indígenas. Na prática, uma em cada três vagas distribuídas entre os departamentos dos 24 câmpus da instituição deverá ser reservada para esse público.
Além disso, a resolução prevê que, no primeiro ano de implementação da política, cada uma das 34 unidades universitárias da Unesp contrate ao menos um docente negro ou indígena.
Durante a sessão, o vice-reitor da universidade e presidente do Cepe, Cesar Martins, classificou a medida como um marco histórico para a instituição.
“É um avanço de todas as nossas políticas de diversidade e equidade que tanto temos trabalhado. É um grande passo para a nossa Unesp neste momento”, afirmou.
A proposta foi elaborada por um grupo de trabalho criado em julho de 2025 com a missão de enfrentar a sub-representação histórica de negros e indígenas no quadro docente da universidade.
Atualmente, a Unesp possui 3.055 professores efetivos. Desses, apenas 201 se autodeclaram pretos, pardos ou indígenas, o equivalente a cerca de 6% do total. O percentual está muito abaixo da representatividade da população negra no Estado de São Paulo, que gira em torno de 40%.
Segundo a professora Maria Valéria Barbosa, assessora da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Proade) e coordenadora do grupo de trabalho, a medida representa um passo importante para tornar a universidade mais diversa.
“Demos um passo decisivo para que a Unesp seja uma universidade mais com a cara do Brasil, uma universidade mais plural”, destacou.
O estudo que fundamentou a proposta contou com representantes do Núcleo Negro da Unesp para Pesquisa e Extensão (Nupe), estudantes, Coordenadoria de Gestão de Pessoas, Assessoria Jurídica, Assessoria de Contratação Docente e do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert).
A aprovação ocorre um ano após a criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Proade), estrutura responsável por fortalecer as políticas de inclusão na universidade.
A Unesp já possui sistema de cotas para estudantes desde 2013. Atualmente, metade das vagas dos cursos de graduação é destinada a alunos oriundos da rede pública, sendo que 35% dessas vagas são reservadas para candidatos pretos, pardos e indígenas.
Com informações do Jornal da Unesp
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