04 maio 2026
Capacitação reuniu profissionais da FMB/Unesp, HCFMB e seguiu protocolos da SOBRASA para atuação em emergências aquáticas

Equipes de saúde do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) participaram, no dia 24 de abril, de um treinamento voltado ao salvamento e atendimento de vítimas de afogamento. A capacitação foi organizada pela Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático e reuniu profissionais da medicina de emergência, cuidados críticos e do Time de Resposta Rápida (TRR).
O enfermeiro José Martins de Souza Neto, do Time de Resposta Rápida do HCFMB, e o especialista em salvamento aquático Claudenir Celestino foram os articuladores do evento, que contou ainda com realização da Faculdade de Medicina de Botucatu e da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático.
O treinamento abordou desde a prevenção até o atendimento avançado, com foco nas particularidades do afogamento — uma condição que difere de outras emergências médicas.
“O afogamento, embora frequentemente subestimado no contexto das emergências médicas, apresenta particularidades fisiopatológicas e assistenciais que o distinguem de outras situações críticas. Diferentemente de uma parada cardiorrespiratória de etiologia primária cardíaca, o afogamento é, essencialmente, um evento hipóxico progressivo, no qual a privação de oxigênio constitui o fator determinante para desfechos desfavoráveis”, destacou o especialista em salvamento aquático Claudenir Celestino.
Segundo ele, o reconhecimento precoce e a adoção de condutas específicas são determinantes para a sobrevida e para a redução de sequelas neurológicas.
Durante a capacitação, profissionais foram treinados para identificar sinais clínicos muitas vezes sutis, que podem passar despercebidos em avaliações não especializadas. A proposta é permitir intervenções mais rápidas e eficazes, evitando a evolução para quadros mais graves.
Outro ponto enfatizado foi o fator tempo. Estudos indicam que períodos entre quatro e seis minutos de hipóxia aumentam significativamente o risco de lesões cerebrais irreversíveis, o que torna essencial uma resposta ágil e coordenada.
O conteúdo incluiu ainda estratégias de prevenção, reconhecimento da cadeia de sobrevivência do afogado, classificação dos graus de afogamento, técnicas de resgate em ambiente aquático e medidas de primeiros socorros. Também foi destacada a integração entre os níveis de suporte básico e avançado de vida.
A capacitação seguiu diretrizes da SOBRASA, referência nacional na prevenção e no manejo de emergências aquáticas, com foco na qualificação profissional e redução de casos de afogamento.
O treinamento foi realizado nas dependências do Serviço Social da Indústria (SESI), que cedeu o espaço para as atividades práticas. Participaram alunos da Faculdade de Medicina de Botucatu, enfermeiros da residência de cuidados críticos, médicos residentes de Medicina de Emergência e profissionais do TRR do HCFMB.
A organização destaca que o preparo para atendimento de emergências aquáticas deve ser encarado como uma competência essencial na formação de profissionais da saúde, tanto no atendimento pré-hospitalar quanto no ambiente hospitalar.












