Sob pressão, Facebook promete fechar cerco a conteúdos falsos

O presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou nesta sexta-feira (26) uma série de novidades a respeito de conteúdos eleitorais na rede social, além de uma nova política de anúncios, que vai mirar a disseminação de discurso de ódio.

Como forma de prevenir o que a empresa chama de “supressão de voto” — publicações na plataforma que desencorajariam os cidadãos a participar de eleições — Zuckerberg afirmou que o Facebook vai incluir um link para o Centro de Informações de Voto da empresa em todas as publicações que discutirem voto na plataforma, incluindo as que forem feitas por políticos.

“Isso não é um julgamento sobre se os posts são precisos, mas nós queremos que as pessoas tenham acesso a informação de autoridades de qualquer maneira” afirmou. Em 2018 o Facebook traçou diretrizes de combate a publicações com falsidades sobre eleições.

No início do mês, Zuckerberg foi alvo de críticas, inclusive dos funcionários do Facebook, após uma polêmica sobre a rede social não ter removido publicações feitas pelo presidente Donald Trump.

Duas mensagens do mandatário foram classificadas no Twitter: uma como incitação à violência, e a outra como supressão de voto, pedindo para que usuários “checassem os fatos” — já que o presidente americano criticou o sistema de votos por correio. As mesmas mensagens não foram classificadas no Facebook.

O executivo anunciou ainda que vai banir publicações com afirmações falsas que possam desencorajar eleitores a irem às urnas, como afirmar que agentes de imigração estariam fazendo checagem de documentos. Ameaças coordenadas, como publicações que inibam as pessoas de votar, também serão removidas.

Anúncios e discurso de ódio

Zuckerberg também anunciou medidas para combater discurso de ódio em anúncios na plataforma. Ele afirmou que a rede social já toma medidas para proibir alguns tipos de conteúdos em anúncios e que a liberdade de expressão é maior para as publicações de pessoas.

“Hoje nós estamos proibindo uma categoria mais ampla de conteúdo de ódio em anúncios. Especificamente, nós estamos expandindo nossa política de propaganda para proibir afirmações de que pessoas de uma raça, etnia, origem, afiliação religiosa, casta, orientação sexual, identidade de gênero ou imigrantes sejam tratadas como ameaça à integridade física, sobrevivência ou saúde de outros”, afirmou.

Segundo o executivo, o objetivo também será proteger melhor imigrantes, refugiados e pessoas em busca de asilo político de publicidade que sugira que eles são inferiores ou que expressem sentimentos negativos a eles.

Nos últimos dias, o Facebook tem sido duramente criticado por uma campanha que pede que empresas parem de pagar por anúncios na plataforma. Chamada de Stop Hate for Profit (Pare de lucrar com o ódio, em tradução livre), o movimento já ganhou a adesão de grandes empresas, que cancelaram anúncios no Facebook.

A campanha acusa a rede social de “amplificar as mensagens dos supremacistas brancos” e de “permitir mensagens que incitam violência” e pede que sejam tomadas medidas mais rígidas contra a disseminação do ódio e de conteúdos racistas.

Fonte: G1