Setor de serviços acumula prejuízos e teme consequências de novas restrições em Botucatu

Nesta sexta-feira, dia 22, o governo do estado de São Paulo rebaixou a região da DRS-6, em que Botucatu está inserido, para a fase vermelha do Plano São Paulo, a mais restritiva. O fato gerou revolta e indignação em vários pontos da economia do município.

Com a publicação da medida, o setor de serviços será um dos mais prejudicados. São centenas de estabelecimentos, entre bares, lanchonetes e restaurantes que não poderão abrir as portas.

Na fase vermelha, esses comerciantes podem apenas trabalhar com disk-entrega e drive-thru. O setor já vem sofrendo há quase um ano com os seguidos rebaixamentos e limitações. Com mais esse período de restrição, há um forte temor de novas demissões, afinal, não há como manter a estrutura sem o público consumidor.

Para se ter uma ideia, o setor de serviços em Botucatu tem aproximadamente 1500 estabelecimentos, gerando mais de 7 mil empregos diretos. Isso engloba restaurantes, bares, hotéis, sorveterias, cafés, docerias, motéis, buffets e todo o setor de entretenimento.

Se somar todas as cidades do SINHORES (Sindicato de Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares), Botucatu, São Manoel, Areiópolis, Pratânia, Conchas, Pardinho, Bofete, Anhembi, Pereiras e Porangaba, o total de empregos diretos ultrapassa 10 mil empregos gerados.

“É um golpe muito duro. As pessoas não imaginam, mas são milhares de famílias que dependem do funcionamento dessas empresas. A gente não está aqui querendo abrir para ficar rico. Queremos trabalhar para manter os empregos, o sustento das famílias. É uma situação desesperadora”, colocou Samir Abdallah, Presidente do SINHORES.

No Brasil o número de desempregados no setor ultrapassa 500 mil. Com novas restrições, não apenas no estado de São Paulo, o número pode ser ainda maior.

Entre os estabelecimentos de Botucatu, a grande parte respeita e adota protocolos da vigilância sanitária estadual. Há meses estão funcionando com capacidade reduzida e disponibilizando todos os itens de higiene, como luvas plásticas, álcool gel, entre outros.

“A maioria, está fazendo de tudo para não fazer cortes. Hoje só estamos brigando pela nossa sobrevivência e de todos os empregos”, conclui Samir.

Uma pesquisa recente divulgada pela imprensa em Nova Iorque, diz que o setor de Restaurantes e bares foram responsáveis ​​por 1,43% dos casos de COVID-19 registrados. O período estudado compreende setembro e o final de novembro, de acordo com dados de rastreamento de contatos.

Na fase vermelha é permitido o funcionamento de atividades essenciais como farmácias, mercados, padarias, lojas de conveniência, postos de combustíveis, lavanderias, óticas e hotelaria. Comércios e serviços não essenciais só podem atender em esquema de retirada na porta, drive-thru e entregas