Projeto de Botucatu avalia sobrepeso e obesidade em universitários

O projeto Sobrepeso e Obesidade em Universitários da Unesp, SOU-UNESP, realizado no Câmpus de Botucatu –  composto por 4 unidades – é um estudo de conclusão de curso, idealizado pela aluna Prisciane de Souza Joaquim. A iniciativa é desenvolvida em parceria com as professoras Patrícia Fidelis,  docente de Fisiologia humana do Departamento de Biologia Estrutural e Funcional e Thábata Koester, do Departamento de Ciências Humanas e Ciências da Nutrição e Alimentação, ambas do Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu. Atualmente, este projeto conta com a colaboração de mais dois alunos de graduação em Nutrição: Humberto Negrão e Maria Vitória Romão.

O SOU-UNESP tem como proposta avaliar a prevalência de sobrepeso e obesidade nos universitários no momento da pandemia da Covid-19. A motivação para o estudo vem do fato de que atualmente existe o confronto de duas pandemias: a da obesidade e a da Covid-19. O principal objetivo é fazer um levantamento da prevalência do sobrepeso e da obesidade correlacionando com diferentes fatores, como classe socioeconômica, conhecimento alimentar dos alunos e nível de atividade física.

A Prof. Patricia Fidelis diz que quando o assunto é obesidade, trata-se de um tema multifatorial, complexo, necessário de ser abordado e que exige coragem e empatia, além de conhecimento científico.

“Falar de obesidade é um assunto complexo, porque envolve trabalhar com estigma. Na sociedade, muitas vezes, a obesidade é tratada como uma escolha do indivíduo, muito associada à questão de apenas reduzir a ingestão calórica e fazer exercícios para ver resultados. Essa visão de culpar a pessoa com obesidade, associando a sua imagem à ausência de disciplina é obesogênica por si só e acaba por excluir outras frentes, incluindo ações públicas governamentais, da responsabilidade de prevenção e tratamento da obesidade”, acrescentou.

O assunto do projeto é um tema multidisciplinar e por isso é de extrema importância, no sentido de chamar a atenção para questões de obesidade como algo de impacto social.

A professora contou mais sobre isso: “Tudo isso significa dizer que precisamos de ações públicas eficientes, de leis que, por exemplo, venham coibir o preconceito, de políticas públicas rígidas em termos de controle de alimentos ultraprocessados, de rotulação adequadas nos produtos, de acessos facilitados a alimentos in natura e minimamente processados por parte da população”, avalia.

A professora Thábata Koester ainda enfatizou: “O SOU-UNESP é uma oportunidade única, especialmente neste momento de pandemia em que muitas mudanças ocorreram na nossa forma de trabalho e estudo, na forma de relacionarmos, na autoestima, nos recursos financeiros, na atividade física e na alimentação. Sem dúvida todas essas questões impactaram nosso estilo de vida. Para alguns o impacto foi negativo, para outros positivo… a grande pergunta é: qual o impacto da pandemia sobre o peso e a forma corporal dos nossos estudantes? Quais são as possíveis causas? E o que podemos fazer a respeito?”, terminou.

Prisciane Joaquim, aluna do 5º ano do curso de Biologia, que está desenvolvendo o projeto SOU-UNESP como trabalho de conclusão de curso (TCC), falou um pouco sobre a pesquisa.

“Nosso grupo de pesquisa sempre se preocupou muito em fazer um projeto coerente, relevante à sociedade, aos universitários e à própria universidade. Fico muito feliz que conseguimos fazer nosso projeto sair do papel, percorrer todas as etapas preparatórias para que, finalmente, seja conhecido pelo público. O nosso formulário, que é a base estrutural de toda a nossa pesquisa e promotor das respostas aos nossos objetivos, foi feito com muito zelo e preocupação, sempre tentando abranger tópicos delicados como o sobrepeso e a obesidade com todo respeito, empatia e consideração pelas pessoas que são acometidas por essa doença”, falou.

O projeto SOU-UNESP tem capacitado futuros nutricionistas a lidar com o tema uma vez que conta também com a colaboração de dois alunos de graduação em Nutrição: Humberto Negrão e Maria Vitória Romão. “Entender a etiologia, as soluções possíveis, a relação saúde-doença e refletir quanto aos estigmas existentes são tópicos fundamentais para que, futuramente, a minha atuação como nutricionista seja capaz de acolher com competência os pacientes com essa doença”, disse Maria Vitória. Humberto, complementa: “Essa proximidade permite não só aprender muito, mas também entender a importância da empatia dentro da ciência”.

A coleta de dados é feita por meio de questionário autodeclarado, que ajudará a entender como se encontra o estado nutricional dos alunos da Unesp e proporcionará base científica que fomentará o desenvolvimento de ações em prol da saúde e qualidade de vida dos estudantes. Para contribuir e responder, acesse o link: https://forms.gle/QnFmcdok9EetxQo86

Assessoria IBB