14 agosto 2026
DownHora chega à etapa final após dois anos e meio de trabalho e busca organizar o acompanhamento das crianças na rede municipal de saúde

Após dois anos e meio de desenvolvimento, o projeto DownHora entrou em sua etapa final com a apresentação de um protocolo e de um fluxograma para a assistência à saúde de crianças com síndrome de Down em Botucatu.
Os instrumentos foram apresentados aos gerentes das unidades de Atenção Primária do município. Elaborados com a participação de enfermeiros, médicos e gestores, eles buscam organizar a linha de cuidado e definir o caminho que deverá ser percorrido pelas crianças na rede pública de saúde.
O protocolo e o fluxograma também foram apresentados e pactuados com a Diretoria de Assistência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB). Algumas consultas especializadas e determinados exames continuarão sendo realizados nos ambulatórios do hospital universitário.
A próxima etapa será apresentar e discutir os instrumentos com os médicos que trabalham nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nas unidades de Estratégia Saúde da Família (ESFs).
Segundo a líder do projeto e professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB/Unesp), Cátia Regina Branco da Fonseca, o protocolo é resultado de uma construção coletiva.
“É um trabalho que estamos construindo há dois anos e meio, ouvindo enfermeiros, médicos e a gestão. Construímos juntos esse protocolo e o fluxo, que envolvem as unidades de saúde e também foram pactuados com o Hospital das Clínicas de Botucatu”, explica.
Organização do atendimento


O DownHora busca fortalecer o acompanhamento integral de crianças com síndrome de Down na Atenção Primária à Saúde, considerada a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre as ações desenvolvidas estão a capacitação de profissionais, o aprimoramento dos registros no Sistema Municipal de Informações e a organização do acesso a consultas, exames, especialidades médicas e atendimento multiprofissional.
A proposta é permitir que as necessidades de cada criança sejam acompanhadas desde as unidades municipais, com encaminhamentos definidos para outros serviços da rede quando necessário.
Para a coordenadora da Atenção Básica à Saúde de Botucatu, Cristina Heinzle da Silva Machado, a apresentação aos gerentes é um passo importante para incorporar os resultados do trabalho à rotina do município.
“Estamos bastante interessados em conhecer os resultados e também aplicá-los ao longo do tempo, para que possamos realmente qualificar a assistência a essas pessoas nas unidades de saúde de Botucatu”, afirma.
Pesquisa aplicada ao SUS
O nome completo da iniciativa é “O cuidado à saúde da criança com síndrome de Down na atenção primária à saúde em Botucatu-SP: protocolo e fluxograma de diagnóstico e assistência integral no Sistema Único de Saúde”.
O projeto é desenvolvido pelo Departamento de Pediatria da FMB/Unesp em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Botucatu. O financiamento é da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas.
Com a apresentação aos gestores, a pactuação com o HCFMB e a próxima discussão com os médicos da rede municipal, o projeto avança para a implantação dos instrumentos elaborados durante a pesquisa.
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