Programa de pré-incubação induzirá formação de startups na Unesp de Botucatu

Piloto ocorrerá em 2020 nos câmpus de Araraquara, Bauru, Botucatu, Jaboticabal e Registro

Em parceria com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico e o Ministério da Economia, a Unesp vai lançar no início de 2020 um programa de pré-incubação em cinco câmpus da Universidade, com o objetivo de fomentar a cultura da inovação e do empreendedorismo no ambiente universitário e a meta de formar pelo programa até cem startups (empresas iniciantes) ao final do ano que vem.

A parceria foi mediada pela Agência Unesp de Inovação (Auin) e prevê a aplicação de uma metodologia desenvolvida no âmbito do programa InovAtiva, criado pelo governo federal para fortalecer o ecossistema de inovação no Brasil. Por meio dessa metodologia, e com o apoio do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), a pré-incubação na Unesp oferecerá treinamento teórico e mentoria para desenvolvimento de negócios a professores e estudantes que tenham uma ideia e queiram empreender.

O programa de pré-incubação prevê investimentos de cerca de R$ 2 milhões, divididos entre os governos estadual e federal, e será realizado inicialmente nos câmpus de Araraquara, Bauru, Botucatu, Jaboticabal e Registro.

“O objetivo principal é treinar alunos e professores, tanto da graduação quanto da pós-graduação, a pensar de modo a transformar o conhecimento científico em um produto ou um processo viável”, afirma o diretor da Auin, o professor Wagner Valenti. “Em 2020, faremos um piloto nesses cinco câmpus, mas nossa proposta é que isso se espalhe depois a todos os ambientes de inovação e todos os câmpus da Universidade. Desejamos que esse programa seja algo permanente”, diz.

No início do programa de pré-incubação na Unesp, todos poderão se inscrever e fazer o treinamento inicial. A seguir, serão selecionadas 200 ideias para o treinamento. Ao longo do ano, desse conjunto, sairão os embriões para a formação das startups, após o processo de mentoria. Ao final das atividades, os responsáveis pelas startups forjadas dentro da Universidade terão a oportunidade de apresentarem suas propostas a investidores.

“A ideia é que, após o treinamento, aqueles que tenham vocação para empreender consigam transformar as suas descobertas em um produto viável. Um dos nossos desafios é criar essa cultura dentro da Unesp. A pessoa sabe fazer pesquisa, mas não sabe transformar isso em algo que atenda à sociedade”, afirma Wagner Valenti.

Para exemplificar o potencial de tal proposta, o diretor da Agência Unesp de Inovação cita casos de instituições estrangeiras que investem pesado na formação de startups e, depois de um período de maturação, têm um retorno significativo.

“O Instituto Fraunhofer (Associação Fraunhofer), da Alemanha, tem a maior parte de investimento público e fez o cálculo de quantas pesquisas aquele dinheiro financiou em um ano, quantas startups e quantos produtos foram gerados e quanto isso recolheu de imposto. O resultado foi que, para cada euro que investiu, o governo alemão recebeu 4 euros em impostos. É o melhor investimento para o governo”, diz Valenti.

Desenvolvimento regional

Parceira no programa, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico também tem a expectativa que o investimento na formação de startups induza a criação de tecnologias que possam ajudar o desenvolvimento regional. A Unesp é a universidade pública com maior abrangência territorial no Estado de São Paulo.

“Pesquisas indicam que a criação de startups é um dos sonhos dos universitários e esse sonho a gente está começando a dar forma a partir desse projeto com a Unesp. Geralmente, os empreendedores de negócios de base tecnológica não têm conhecimento de negócio, não têm uma rede de relacionamento com o setor privado nem com os investidores. O que vamos fazer é ajudar esses futuros empreendedores que estão na Unesp a transformarem as suas tecnologias em bons negócios”, afirma Marcos Vinicius de Souza, coordenador de Ciência, Tecnologia e Inovação da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico. “Com um bom preparo desses negócios, eles vão crescer e isso vai impactar toda a região onde ele se situa”, diz.

Para o diretor da Auin, mais do que o fomento à cultura empreendedora e a promoção do desenvolvimento regional com a formação de startups espalhadas pelo Estado de São Paulo, o programa de pré-incubação da Unesp vai ampliar o horizonte e dar nova perspectiva à comunidade da Universidade.

“A gente quer que o estudante na Unesp tenha uma alternativa. A pessoa que é pesquisadora e quer continuar na pesquisa pura vai continuar. Quem deseja entrar nesse novo modelo e tem vocação para empreender vai ter uma oportunidade que não tem hoje”, afirma o professor Wagner Valenti.