Presidente da Embraer espera que fusão com a Boeing saia antes das eleições

O presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, afirmou nesta terça-feira que a negociação de fusão com a Boeing, que já dura cinco meses, é uma operação “bastante complexa”, mas que ele espera que o anúncio ocorra antes das eleições. Para o executivo, que participou de evento da Uber, em Los Angeles, nos Estados Unidos, a dificuldade não está no valor do negócio, ou na possível resistência em vender a área de defesa da empresa, mas em encontrar um formato que “preserve a colaboração entre as duas empresas”.

As duas fabricantes de aeronaves foram notificadas nesta terça-feira pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) para que o acordo comercial contemple questões trabalhistas, a fim de que os empregos sejam mantidos. A Embraer tem cerca de 18 mil funcionários no Brasil. Sobre a notificação, Souza e Silva garantiu que a ideia é “criar uma empresa maior”.

— Isso não é um ponto de atenção porque a ideia é justamente fazer uma parceria para que a gente consiga ter uma empresa maior, com mais crescimento, mais vendas, mais exportação e mais industrialização. O projeto é muito positivo nesse sentido, não o faríamos para reduzir a empresa, mas sim para criar uma maior — disse.

Projeto com Uber

Paulo Cesar Silva participou do Uber Elevate Summit 2018, evento da empresa americana com foco na aviação comercial em cidades. A Embraer é uma das parcerias do projeto, cujo intuito é lançar uma solução aérea para a mobilidade urbana até 2023 em cidades como Dallas, Dubai e Los Angeles. Os veículos chamados VTOL (sigla de vertical take-off and landing) são protótipos semelhantes a helicópteros, apesar de serem elétricos e autônomos, que decolam e aterrissam de forma vertical.

A ideia é que essas aeronaves reduzam o tempo de viagem entre subúrbios e centros e diminua o congestionamento em grandes metrópoles. A Uber e parceiras trabalham para que o sistema funcione da mesma forma que os carros privados no aplicativo, com a diferença de que estações aéreas estarão distribuídas pelas cidades.

Em sua apresentação, Silva retomou parte da história da companhia, que completa 50 anos em 2019, e afirmou que o futuro da aviação é híbrido, elétrico e autônomo.

— Começamos a olhar para a mobilidade urbana e compartilhamos da visão da Uber de que as pessoas que vivem nas áreas mais densas do mundo precisam ter uma vida melhor — afirmou.

O conceito da empresa brasileira é desenvolvido pela Embraer X, braço dedicado ao desenvolvimento de negócios disruptivos.

Fonte: Época Negócios