20 fevereiro 2026

O caso do adolescente de 15 anos que perdeu o testículo direito após quadro de torção testicular segue repercutindo em Botucatu e apresenta versões divergentes entre a família e a Prefeitura. O caso ocorreu entre os dias 06 e 08 de fevereiro.
A denúncia foi inicialmente divulgada pelo portal G1. Segundo relato da mãe, o jovem teria aguardado mais de 12 horas por transferência entre o Pronto-Socorro Adulto (PSA) e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB).
Já a Prefeitura de Botucatu divulgou nota oficial detalhando a cronologia do atendimento e afirmando que o paciente não foi localizado para remoção após a autorização da vaga via sistema Cross.
A versão da família
De acordo com a mãe do adolescente ao G1, ele começou a sentir dores ainda pela manhã do dia 6 de fevereiro. Após atendimento inicial na unidade de saúde de Rubião Júnior, foi encaminhado ao Pronto-Socorro Adulto.
No PSA, segundo a família, houve suspeita de torção testicular e solicitação de transferência ao Hospital das Clínicas. A mãe afirma que permaneceu na unidade com o filho até aproximadamente 23h30 e que, durante todo o período, foi informada de que aguardavam a liberação de vaga.
Ainda segundo o relato, o adolescente, com dores intensas, teria saído da unidade e seguido a pé até o Hospital das Clínicas, percurso estimado em cerca de oito quilômetros.
O jovem deu entrada na emergência do HCFMB durante a madrugada, foi avaliado por urologista e submetido a cirurgia. O diagnóstico de torção testicular foi confirmado e houve necessidade de remoção do testículo direito.
A família registrou reclamação na ouvidoria do município e denuncia negligência no atendimento.
O que diz a Prefeitura
Em nota oficial, a Prefeitura informou que o adolescente procurou a USF de Rubião Júnior às 10h50, sozinho e conduzindo uma motocicleta. Às 11h02, após avaliação médica, foi levantada hipótese de torção testicular.
Segundo o município, a responsável legal foi comunicada por telefone e foi oferecido transporte por ambulância ao Pronto-Socorro Adulto, o que teria sido recusado, ficando a mãe responsável pelo deslocamento.
O paciente deixou a unidade às 11h18.
De acordo com a administração municipal, o adolescente deu entrada no PSA às 13h56, passou por avaliação médica e foi reavaliado às 15h47, quando foi constatada piora da dor. A solicitação de transferência ao Hospital das Clínicas via Cross ocorreu às 17h09, com autorização às 17h35.
A Prefeitura afirma que, após a liberação da vaga, o paciente foi chamado para transporte, mas não foi localizado na unidade, sendo registrada evasão do serviço.
O município declarou ainda que segue apurando o caso, inclusive a alegação de que o adolescente teria deixado o PSA e caminhado até o hospital universitário. A administração afirmou que eventuais irregularidades serão ajustadas e os responsáveis, se houver, serão responsabilizados.
O que diz o Hospital das Clínicas
O HCFMB informou que recebeu a solicitação de vaga via Cross às 17h07 do dia 6 de fevereiro, com aceite registrado às 17h30, caracterizado como imediato.
O hospital confirmou que o adolescente foi atendido na madrugada do dia 7, submetido a procedimento cirúrgico e recebeu alta no dia 8 de fevereiro, com boa recuperação. O caso segue em apuração.
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