Polícia investiga queda de ultraleve que matou duas pessoas em Botucatu

 

A Polícia Civil investiga quais foram as causas da queda de um ultraleve em Botucatu que matou duas pessoas no sábado (11). Maria José Quaresma de Jesus, que estava voando pela primeira vez, e o piloto, o técnico de som César Titton, de 61 anos, morreram no local da queda, a cerca de 500 metros da pista de onde tinham decolado minutos antes.

A polícia aguarda os laudos periciais que deverão indicar a causa da morte das vítimas. César tinha aproximadamente 25 anos de experiência na aviação, o que faz a polícia, inicialmente, trabalhar com duas hipóteses para o acidente. “Uma de um eventual mal súbito do piloto, que desmaiou, empurrou o manche para frente. A outra é de ter quebrado algum equipamento”, explica o delegado Marcelo Lanhoso.

Segundo a delegada Simone Firmino, que esteve no local do acidente e registrou a ocorrência no plantão policial, a documentação da aeronave e do piloto estavam em ordem. Ainda de acordo com informações do boletim de ocorrência, a aeronave foi periciada e recolhida por representantes do proprietário.

Por ser tratar de uma aeronave experimental, a investigação do acidente é de responsabilidade da Polícia Civil e não envolve os técnicos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Para o consultor em acidentes aéreos e ex-piloto de Botucatu Carlos Camacho, o caso não ser investigado é uma perda para a aviação.

“Acidentes acontecem, mas o mais importante são as lições que aprendemos com os acidentes. Dessas lições é que outros acidentes poderão ser evitados. Não sendo investigados não teremos informações do órgão especializado em investigações aeronáuticas que poderão prevenir outros acidentes”, diz Camacho.

De acordo com o sindicato dos aeroviários, existem cerca de 7 mil aviões experimentais no Brasil e o país registra um acidente a cada 15 dias envolvendo esse tipo de aeronave. “O objetivo de uma investigação é o estabelecimento de providências e estudos que permitam obter algum ganho no que diz respeito a prevenção. Não sendo investigado um acidente na aviação experimental essa transferência de conhecimento não existirá, o que é uma grande pena”, explica Camacho.

‘Vi o avião caindo’
Namorada do piloto há quatro meses, Gisele Terra seria a próxima a subir no ultraleve. “Nós combinamos de encontrar as amigas dele no aeroporto. Ele disse para mim que levaria a moça primeiro porque era a primeira vez que ela iria voar e depois, se tivesse tempo, nós íamos dar uma volta”, conta. Gisele estava no aeroporto e acompanhou a decolagem e a queda da aeronave.

“Ele decolou normal, mas estranhei que ele estava voando muito baixo e um pouco virado. Eu não o vejo fazer esse tipo de manobra, e depois a aeronave subiu um pouco e caiu de bico. Só ouvi o barulho. Eu fiquei preocupada na hora, mas achei que era um acidente que ele sairia ileso ou no máximo machucado, não vi a gravidade naquele momento”, lembra.

Gisele só recebeu a notícia depois que um dos funcionários do aeroporto foi até o local do acidente. “Eu saí correndo, fiquei desesperada, porque não queria acreditar, precisava ver o avião, o local do acidente”. Gisele costumava acompanhar César nos voos. Ele tinha mais de 25 anos de experiência e sempre voava por lazer. “Era um tipo de coisa que ele estava muito acostumado a fazer, por isso estamos tentando entender o que aconteceu. Eu não esperava nunca que isso fosse acontecer. Ele vai fazer muita falta.”

Fonte: Portal G1