Pesquisadores descobrem gênero de dinossauro que viveu há 85 milhões de anos no interior de SP

 

Deverson Pepi/Arte/Divulgação

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto (SP) descobriram, em parceria com o Museu de Paleontologia de Monte Alto (SP), um gênero de dinossauros inédito na paleontologia, o Arrudatitan, que faz parte do grupo dos titanossauros e vivia no interior de São Paulo.

O gênero tem apenas uma espécie, o Arrudatitan maximus, um dino herbívoro de 22 metros, com pescoço e cauda longas, que viveu 85 milhões de anos atrás, no Cretáceo, período em que ocorreu a separação da Pangeia, uma massa continental que unia todos os continentes do planeta Terra.

“A região de Monte Alto é muito produtiva, então pode ser que sejam achados novos fósseis, de espécies que sejam parentes do Arrudatitan maximus e sejam incluídas neste novo gênero, que é exclusivo de São Paulo”, diz o mestre em biologia Julian Junior, o principal autor da pesquisa.

A partir de descrições feitas pelos paleontólogos, artistas reconstituíram digitalmente o Arrudatitan maximus. Por uma das artes, é possível compreender a grandeza do animal, que tinha um comprimento equivalente ao espaço ocupado por cinco carros estacionados em fileira.

Fóssil do ‘Arrudatitan maximus’, que viveu no período Cretáceo, foi encontrado em Cândido Rodrigues (SP) em 1997 — Foto: Érico Andrade/G1

O estudo conduzido por Junior indicou que, diferente do que há anos se acreditava, a espécie não pertence ao gênero Aelosaurus, cujas espécies viveram na Argentina. A principal diferença entre eles está nas articulações da cauda, mas suas ancestralidades genéticas também são distintas.

“Esta descoberta dá uma cara mais regional e inédita para a paleontologia brasileira, além de refinar nosso conhecimento sobre os titanossauros, que são estes dinossauros pescoçudos”, avalia o paleontólogo Fabiano Iori, do museu de Monte Alto, que participou do estudo.

Os resultados da pesquisa foram publicados na quinta-feira (29) em um artigo na Historical Biology, uma importante revista científica de paleobiologia. Além de Junior, que é doutorando da USP, o trabalho contou com auxílio de pesquisadores do Rio Grande do Norte e da Argentina.

Fonte: PortalG1