Pesca predatória e poluição ameaçam peixes no Tietê

Na região de Botucatu aproximadamente 300 pessoas tiram sustento do Rio Tietê

Foto TV TEM/Reprodução

O início da primavera, em 22 de setembro, é um dia especial também para o principal rio paulista. Esta é uma data que foi criada para destacar a importância do Tietê e reforçar a necessidade de protegê-lo.

Quem é mais antigo, por exemplo, sabe que dava para encontrar muito mais peixes no local, em quantidade e em espécies. A pesca predatória e a poluição ajudaram a reduzir a diversidade, mas nunca é tarde para salvar o que corre perigo.

Um gigante de 1.100 quilômetros de extensão, o Rio Tietê corta 62 municípios de leste a oeste do estado de São Paulo e é referência para milhares de pessoas que sobrevivem diretamente de suas águas.

Entre a nascente na serra do mar, próxima ao litoral, até a foz no Rio Paraná, entre as divisas de São Paulo e Mato Grosso do Sul, surgiram cidades e diversas atividades que dependem das águas.

A Federação da Colônia de Pescadores de São Paulo estima que 20 mil pessoas tirem o sustento do Tietê. Um trabalho de horas, paciência e expectativa. Os trabalhadores jogam a rede à tarde e só no outro dia voltam para buscar o peixe.

A falta de peixes prejudica os ribeirinhos há muito tempo. Para manter a fauna do rio, o pescador também precisa colaborar. Seguindo regras, cada espécie só pode ser retirada a partir de um determinado tamanho.

Esta medida é uma das formas de tentar manter a piscosidade. O presidente da ONG Mãe Natureza, Hélio Palmezan, desde a década de 1980, busca conscientizar os pescadores e chamar a atenção das instituições para a importância de repovoar o rio.

Já são mais de 50 peixes nativos encontrados no Rio Tietê que foram catalogados por especialistas. A maior parte tem pouco valor comercial, mas esses peixes são importantes para a manutenção da fauna.

As espécies precisam da Mata Ciliar preservada para alimentação e reprodução. Por conta da quantidade de lixo nas margens, isso acaba sendo um problema.

O pesquisador da Universidade de Mogi das Cruzes Alexandre Wagner Silva Hilsdorf fez o levantamento das espécies e monitora a população de peixes do alto Tietê. Para ele, existe uma dificuldade no equilíbrio de demandas econômicas e ambientais.

Este ano, a situação está ainda pior, pois o Brasil vive a pior seca dos últimos 91 anos. É só olhar para a margem e perceber as marcas da estiagem. O pescador Dejaci Nogueira Alves, que sempre viveu da pesca, fica preocupado com o problema.

Agora, juntar um estoque de peixes é importante para a época da Piracema. O período de produção dos peixes começa em 1º de novembro em São Paulo. Até o fim de fevereiro, ninguém pode pescar.

Só nos municípios de Botucatu, Anhembi e Santa Maria da Serra (SP), mais de 300 pessoas vivem desse trabalho. Nestes meses, a única renda de muitos vai ser o Seguro Defeso, um benefício do governo federal que concede um salário mínimo para pescadores cadastrados.

Apesar dos problemas, ainda existem formas de salvar o Tietê e fazer da pesca uma atividade sustentável. Para isso, são necessárias políticas públicas com envolvimento de setores da sociedade e transparência na hora de aplicar medidas de preservação.

Fonte: Portal G1