05 julho 2026
Segundo o engenheiro florestal Sérvio Túlio Pereira Justino da FCA/Unesp, um dos autores do artigo, esse é o maior trabalho sobre o tema já realizado no Pantanal

O Pantanal, considerado a maior planície alagada do mundo, perdeu cerca de 80% de sua água superficial nas últimas quatro décadas. O dado faz parte de um estudo desenvolvido por pesquisadores da Unesp em parceria com outras instituições brasileiras, que analisou imagens de satélite e o regime de chuvas no bioma entre 1985 e 2023.
A informação consta em reportagem do portal Unesp. Os resultados foram publicados na revista científica Advances in Space Research.
A pesquisa aponta que a redução da água superficial varia entre 69,6% e 81,4%, dependendo do índice utilizado na análise. Segundo os pesquisadores, as mudanças climáticas e a alteração no uso da terra, com a expansão da agricultura, pecuária e construção de barragens, estão entre os principais fatores responsáveis pela diminuição dos corpos d’água. Além disso, os níveis de precipitação registrados nos últimos anos não têm sido suficientes para recompor o estoque hídrico do bioma.
Um dos autores do estudo é o engenheiro florestal Sérvio Túlio Pereira Justino, doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência Florestal da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) da Unesp, em Botucatu. Segundo ele, este é o maior levantamento já realizado sobre a dinâmica das águas superficiais na porção brasileira do Pantanal, abrangendo quase 40 anos de monitoramento.
“Nosso diferencial foi o tamanho da área em que trabalhamos, o período abrangido – de 1985 a 2023 –, e também os quatro índices espectrais utilizados para chegar aos resultados”, relata Justino em reportagem da Unesp.
Além da redução da água, os pesquisadores identificaram queda na umidade do solo, diminuição da vegetação e aumento da frequência e intensidade das secas, indicando que o bioma enfrenta um processo contínuo de degradação ambiental.
Os impactos vão além da biodiversidade. A escassez de água afeta espécies de peixes, aves e mamíferos, reduz habitats naturais e compromete atividades econômicas como a pesca e o turismo, além de impactar comunidades tradicionais e ribeirinhas que dependem diretamente dos recursos naturais da região.
Os autores defendem a adoção de medidas voltadas ao manejo sustentável da água e do solo, com monitoramento permanente, redução dos impactos causados pelas atividades humanas e políticas públicas voltadas à conservação do Pantanal. Sem ações efetivas, alertam os pesquisadores, o bioma poderá enfrentar perdas ainda mais severas nas próximas décadas.
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