OLIGOPÓLIO NO FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO

Por Paulo André de Oliveira

O oligopólio é uma estrutura de mercado em que existem poucas empresas oferecendo um produto no mercado e estas conseguem exercer alguma influência sobre os preços e quantidades oferecidas. Muitas vezes, existem muitas empresas, contudo apenas algumas poucas conseguem influenciar o mercado, por exemplo, na indústria de cervejas. Para um mercado ser um monopólio ou oligopólio alguma característica específica existe como o domínio de matéria prima e tecnologia ou ainda pela necessidade de um volume muito grande de capital para o seu funcionamento adequado.

Em geral, os custos fixos destas empresas são muito elevados, o que força a escala de produção para reduzir o custo fixo por unidade produzida. Portanto, para que o preço do produto final seja competitivo, o volume de produção precisa ser alto. A indústria siderúrgica, cimento, automobilística, distribuição de energia e bancos são exemplos de oligopólio.

Os bancos são mercados oligopolizados para reduzir custos operacionais, e ainda, para ganhar escala com maior volume de negócios e assim conseguirem emprestar dinheiro em volumes maiores e ainda reduzir os riscos. Para reduzir riscos os bancos procuram diminuir a dependência de grandes clientes que pode ser feito de duas formas: ou o banco aumenta de tamanho ou evita o cliente muito grande.

Evitar clientes não é a atitude mais adequada para se elevar a lucratividade, portanto a opção aumentar de tamanho é a mais utilizada. A forma mais rápida para aumentar de tamanho se faz pela compra de outros bancos menores. Na verdade, o que realmente interessa são os clientes e não a estrutura. Com estas características de funcionamento os bancos tendem a continuar como um oligopólio mesmo com o surgimento de inúmeros bancos pequenos exclusivamente digitais.

A Caixa Econômica Federal faz parte do oligopólio bancário como um importante participante (player) influenciando o mercado bancário brasileiro como um todo. Assim a decisão da Caixa de oferecer financiamentos imobiliários corrigidos pela inflação e num futuro próximo com valores de prestações fixas (juros pré-fixados) sem qualquer tipo de indexador para o longo prazo (360 meses) fará com que os demais bancos se obriguem a mudar de estratégias. A essência do comportamento estratégico está na antecipação que uma empresa pode fazer relativamente às rivais, criando assim uma situação diferenciada (assimetria) entre as empresas no mercado.

Este modelo de concorrência faz as empresas decidirem sequencialmente. Existe uma empresa que é líder, neste caso a Caixa, que decide em primeiro lugar, e uma ou mais empresas seguidoras que tomam a sua decisão, tendo como um dado a decisão tomada pela líder de oferecer novas modalidades de financiamento imobiliário. Dito de outra forma, a empresa seguidora (outros bancos) tomará a sua decisão como uma reação. A primeira empresa (Caixa) sabe que a segunda (outros bancos) vai reagir desta forma e, ao tomar a sua decisão inicial leva em conta a previsível resposta da segunda. Para haver equilíbrio, a seguidora terá que ajustar o mesmo preço ou condições, porque as duas vendem o mesmo produto.

Portanto, a Caixa Econômica Federal está exercendo a sua liderança para direcionar o mercado de financiamento imobiliário no novo contexto de baixa inflação e juros baixos. Ao oferecer outras formas de financiamento imobiliário a Caixa Econômica Federal força os demais concorrentes a reagir ou perderem mercado. Dentro de um contexto estritamente técnico, em que a decisão seja economicamente sustentável, esta movimentação tende a melhorar as condições de financiamento e por consequência da construção civil. Esta é uma forma, via mercado, em que o governo pode, por meio de uma estatal, melhorar a situação de baixa concorrência de um setor naturalmente oligopolizado estimulando a economia.

Paulo André de Oliveira é Economista e Professor da FATEC