Médico de Botucatu participa de missão voluntária na fronteira com a Venezuela

O diretor do Serviço de Ambulatórios de Especialidades (SAE) de Infectologia “Domingos Alves Meira”, administrado e mantido pela Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), Dr. Alexandre Naime Barbosa, esteve entre os dias 2 e 6 de julho em Boa Vista, capital de Roraima, e na cidade de Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, para uma missão voluntária.

O grupo, que contou com médicos, dentistas, fisioterapeuta, enfermeiro e outros profissionais da saúde, foi organizado pelo Instituto Dharma e auxiliou o Exército Brasileiro na Operação Acolhida. Nela, os cerca de 500 refugiados que chegam diariamente são recebidos e passam por tratamento médico e cuidados especiais. “A crise econômica que aconteceu na Venezuela trouxe gente de todas as classes sociais. Atendi pessoas mais pobres, mas também advogados, pós-graduados, entre outros”, afirma Dr. Naime, em entrevista à Rádio Municipalista.

Segundo ele, foram mais de 1.500 atendimentos de saúde realizados, mais a doação de material médico de primeira necessidade que a comunidade de Botucatu ajudou a conseguir.

Doenças e falta de perspectiva

Com a crise humanitária vivida na Venezuela, muitos doentes tiveram seus tratamentos deixados para trás. E alguns deles receberam os cuidados da equipe voluntária. “Essa população está morrendo. Desde idosos até crianças, por falta de vacinação. É uma situação lastimável”, diz.

Durante a missão, diversas doenças infecciosas diferentes foram identificadas. HIV, Leishmaniose (úlcera de Bauru), Hepatite A e Hepatite C, por exemplo, estavam na lista. “E vimos muitas crianças doentes, com pneumonia, gripe, resfriado. Agora elas estão tomando vacinas. Mas antes, não haviam tomado [a vacina] para meningite, para a influenza, para sarampo. E por isso agora estão sendo verificadas”, afirma.

Muitos deles, inclusive, abandonam tudo no país vizinho para tentar uma vida mais digna no Brasil. “Eu perguntava a eles por qual motivo estavam saindo de lá e eles me diziam: ‘aqui não temos casa, mas teremos comida, teremos segurança, pelo menos alguma chance de futuro’”, conta.

E o dinheiro venezuelano tem valor tão baixo que muitos estão utilizando para fazer artesanato. Maços de notas chegam a valer apenas dez centavos de real.

No Brasil, eles ficam em abrigos, com toda a infraestrutura necessária para uma boa acolhida. “Os grupos são bem divididos. Têm abrigos para casais com filhos, sem filhos, para indígenas (que migram por causa de segurança), para gays e trans”, lembra.

Operação Acolhida

O trabalho da Operação Acolhida também é importante, ressalta Dr. Naime, para controlar doenças erradicadas no Brasil, mas que podem aparecer entre pessoas de fora. O sarampo e a poliomelite, por exemplo, que não são registradas há anos, surgiram novamente. “Devido à baixa cobertura vacinal da Venezuela, há alguns casos confirmados nos países vizinhos. Por isso, é importante que as mães estejam atentas à carteira de vacinação de seus filhos. A vacina ainda é a melhor maneira de prevenção”, diz.

Dr. Naime também deixa um alerta aos brasileiros: não deve haver preconceito com os refugiados. “Eles tiveram uma mudança muito grande no estilo de vida deles. E não sabemos como será o nosso futuro. Por isso, devemos receber o povo venezuelano de braços abertos, com todo o cuidado que merecem. Nenhum deles pode entrar no Brasil sem aceitar a vacinação. Isso foi estipulado pelo Governo”, finaliza.