23 janeiro 2026
Dos 351 cursos avaliados no país, apenas 49 obtiveram nota 5 no Enamed; 107 cursos ficaram com notas 1 e 2, consideradas insatisfatórias, e devem sofrer sanções

O Ministério da Educação (MEC) divulgou na última segunda-feira (19) o resultado da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), destinado aos estudantes concluintes da graduação em Medicina. O curso da Faculdade de Medicina da Unesp em Botucatu obteve nota 5, o conceito máximo na avaliação.
Ao todo, foram avaliadas 351 instituições públicas e privadas. Desse total, apenas 49 obtiveram a nota máxima. 114 cursos receberam o conceito 4 e outros 80, o conceito 3, considerados satisfatórios. Por outro lado, 107 cursos, 30% do total, obtiveram notas 1 e 2, insatisfatórias. Além disso, um curso ficou sem conceito por ter menos de dez alunos avaliados.
Para as instituições de ensino com conceitos 1 e 2 sob gerência do Ministério da Educação (instituições federais e privadas), será instaurado um processo administrativo de supervisão para definir as medidas cautelares a serem aplicadas. Elas variam conforme o risco ou ameaça ao interesse público. Entre elas, estão a suspensão do ingresso de novos alunos, redução no número de vagas do curso e suspensão de programas federais como o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES). As unidades terão oportunidade de apresentar defesa e requerer a concessão de prazo para adequação.
Para o diretor da Faculdade de Medicina do câmpus de Botucatu (FMB), o professor Carlos Magno Fortaleza, o desempenho dos estudantes da Unesp no exame demonstra o empenho da universidade em formar profissionais de qualidade e comprometidos com a saúde pública brasileira.
“A nota 5 demonstra que conseguimos atingir um nível de excelência com a cooperação de toda a comunidade da Faculdade de Medicina e dentro dos nossos critérios de uma faculdade inclusiva, que apoia ações afirmativas. E nós acabamos de aprovar o aumento de 90 para 120 vagas, mostrando o nosso desejo de que essa boa formação seja ampliada”, afirma.
Além de conferir aos profissionais uma certificação da qualidade do ensino ofertado, o resultado do Enamed, segundo o diretor, também reflete os esforços do curso em uma formação humanizada.
“Certamente tem um impacto positivo em termos de conceito profissional, empregabilidade e confiança. Mas, acima de tudo, a nossa faculdade prioriza o ensino a partir da relação entre médico e paciente. Então, para nós, essa nota também representa um reconhecimento desse tipo de formação”, destaca.
A reitora da Unesp, a professora Maysa Furlan, lembra que a formação humanizada é possível graças à forte relação com o Sistema Único de Saúde (SUS). Isso porque a Faculdade de Medicina conta com o Hospital das Clínicas, a maior instituição pública vinculada ao SUS na região. São 68 municípios atendidos no Departamento Regional de Saúde (DRS VI) Bauru, com abrangência populacional estimada em 2 milhões de pessoas.
“Estar alicerçado nesse grande sistema SUS faz a diferença na formação de um médico qualificado. Essa nota cinco que a Faculdade de Medicina recebeu é fruto desse trabalho, com um olhar para a sociedade, e que Botucatu e região se beneficiam muito”, destaca a reitora.
A integração entre professores, técnico-administrativos e discentes na realização do exame é outra característica institucional que, segundo a pró-reitora de Graduação da Unesp, a professora Celia Maria Giacheti, foi determinante para o sucesso na nota obtida pelo curso. Segundo a docente, com o Enamed, evidencia-se que a universidade cumpre plenamente o seu papel acadêmico.
“Todos os anos, a universidade coloca no mercado profissionais que foram bem formados e atenderão a população em geral de uma forma responsável, com conhecimento teórico e prática clínica”, afirma.
Sobre o exame
O Enamed, como modalidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para os cursos de medicina, foi instituído pela Portaria MEC nº 330, em 23 de abril de 2025. A prova, composta por 100 questões de múltipla escolha, foi aplicada em 19 de outubro pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em colaboração com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Entre os principais objetivos da avaliação, que a partir de agora será anual e obrigatória a todos os estudantes concluintes do curso de medicina, estão: aferir o desempenho dos estudantes em relação aos conteúdos programáticos previstos nas Diretrizes Curriculares Nacionais – DCN; verificar a aquisição de conhecimentos, habilidades e competências para o exercício profissional adequado aos princípios e às necessidades do Sistema Único de Saúde – SUS; e fornecer subsídios para a formulação de políticas públicas relacionadas à formação médica.
Nesse novo formato, o Conceito Enade para os cursos de Medicina expressa uma medida proporcional do desempenho dos estudantes de um curso em relação ao padrão mínimo de desempenho definido (proficiente), seguindo nota técnica publicada pelo Inep. Assim, o cálculo leva em consideração: o número de estudantes participantes no exame e com resultados válidos; o desempenho dos estudantes participantes, na escala definida no Enamed; e o percentual de concluintes com desempenho proficiente de cada curso.
De acordo com levantamento do Inep, em 2025, 39.258 estudantes fizeram o exame. Desse total, 67% (dois terços) tiveram desempenho proficiente. Como o resultado da prova pode ser aproveitado em processos seletivos de programas de residência médica, também participaram da avaliação 49.766 médicos. Entre esse público, o índice de proficiência ficou em 81%.
Para o vice-diretor da Faculdade de Medicina de Botucatu, Pedro Lourenção, a mudança foi positiva e permite uma avaliação mais detalhada. “As cinco grandes áreas de conhecimento da medicina estão representadas nesse exame, com um número ampliado de questões. Isso permite uma análise mais confiável do conhecimento teórico do aluno que está no último ano de formação”, diz.
Pedro Lourenção também defende a realização anual do exame para um registro preciso da qualidade dos cursos ofertados nas instituições de ensino.
“Esse tipo de exame é uma estratégia muito mais adequada para se avaliar a formação na área do que um exame de ordem, por exemplo, que apenas impediria o exercício médico, sem impactos para a instituição que está formando os profissionais. Então, é uma estratégia fundamental para a avaliação do ensino médico no Brasil e deve ser contínua”, afirma o vice-diretor da FMB.
Fonte: Site Unesp / Jornal da Unesp
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