Mariuza de Carvalho: uma vida dedicada à educação e ao esporte

 

Sempre alegre, professora Mariuza continua dedicando sua vida ao esporte (Foto Daniela Fioretto)

Aos 64 anos, Mariuza de Carvalho é uma mulher admirável e com alto astral contagiante. Filha de Helena Barbosa Carvalho e Antônio de Carvalho, nasceu na Vila Antártica, onde passou toda sua infância brincando na Rua Dr. Napoleão Laureano, ao lado dos irmãos Izaira, Jair e Júlio.

“Na minha época não existia a tecnologia, então era brincar na rua mesmo. Ficava até tarde da noite e bastava um assovio de meu pai para que voltasse para casa, pois era hora de entrar”, contou a alegre professora.

A professora de Educação Física aposentada começou os estudos no Grupo Escolar Dom Lúcio Antunes de Souza, onde seguiu até o 4º ano. A partir do 5º ano foi para a Escola Cevila, onde cursou até o 3º ano do Colegial.

“Nessa época já sabia que queria ser professora de Educação Física, pois me espelhava em minha querida professora Cleoneide Bruder. Mas tinha um problema em Botucatu: não existia faculdade de Educação Física, só tinha na Barra Bonita e Avaré, e meus pais não deixaram eu ir”, revela.

“Nesse contexto, fiquei um ano sem estudar porque eu não queria ser professora de História, Português ou outra matéria qualquer. Eu queria educar através do esporte. Mas não teve jeito. Depois de um ano comecei a estudar em Avaré”, conta Mariuza.

De família pobre, começou a trabalhar aos 14 anos na Malharia Modasfil, local no qual ficou por 7 anos e a ajudou a pagar a sua faculdade. A única maneira de ir até a cidade de Avaré todos os dias era de trem, pois não existia ônibus escolar na época.

“Muitas vezes chegava em casa às 2 horas da manhã, para às 7 horas estar na Malharia e trabalhar até as 16 horas e me preparar para ir para a faculdade. Essa rotina durou três anos, de segunda a sábado, muito bem aproveitados por mim”, enfatiza.

Experiência
A carreira como professora começou em Areiópolis, onde lecionou por 5 anos e, simultaneamente, dava aulas na Usina de São Manuel e Botucatu para completar a sua carga horária. Em 1985, foi efetivada no Estado e assim escolheu a escola Dom Lúcio, onde dedicou seu trabalho por 21 anos.

Neste meio tempo, Mariuza ainda encontrou tempo para se preparar para mais um desafio. Prestou concurso para trabalhar na Secretaria Municipal de Esportes de Botucatu e passou em primeiro lugar. Seja no ambiente escolar, quanto na Secretaria de Esportes, viveu experiências que guarda na lembrança até hoje.

“Tive oportunidade de colocar meus alunos para defender o nome de Botucatu nos Jogos Regionais e Abertos, principalmente a equipe de Damas. Além disso, fiquei à frente dos Jogos Regionais do Idoso por dezoito anos, sempre levando o nome de Botucatu nas primeiras classificações Também fui anotadora cronometrista da Federação Paulista de Futsal”, conta.

“Ser professora é algo que vem de dentro do coração. Tem que nascer com a vocação e eu nasci para ser uma educadora dentro do esporte. Amar meus alunos como filhos, dar amor e diretrizes para a vida”, afirma emocionada.
O Bairro no coração

Com tantas lembranças e histórias boas, Mariuza dedicou exatos 44 anos de sua vida ao esporte. Aposentou-se do Dom Lúcio em 2008 e da Secretaria de Esportes em abril de 2017. Hoje, pratica esporte como qualidade de vida. Joga tênis, natação e faz caminhadas.

Teve uma filha, Vanessa, e um neto, João Lucas. Moradora do Bairro, Mariuza revive os seus bons tempos de adolescência e reforça o amor por esta região de Botucatu. “Falar da Vila dos Lavradores me remete aos bons tempos do Cine Vitória, o Jardim do Bairro, passeios na praça da Igreja aos domingos. Subíamos e descíamos a Major Matheus paquerando e sendo paquerada pelos rapazes.

A igreja Sagrado Coração de Jesus foi o local onde fiz minha primeira comunhão, me casei, batizei e casei minha filha. Conheço todos os setores do pontilhão para cima, não conseguiria morar em outro local. Gosto de Botucatu, mas amo morar do lado de cá. Hoje o Bairro é uma parte independente do centro da Cidade. Enfim, nosso Bairro é um completo paraíso para se morar”, conclui a bem-humorada professora.