Ivone Bergamasco Calore conta sua história de envolvimento com o Bairro e a Educação

 

Já ouviu falar naquela expressão popular “o tempo ensina”? Pois é. Dona Ivone Bergamasco Calore, no auge de seus 72 anos, pode se orgulhar de ter escrito uma história exemplar, alicerçada na Educação. De origem simples, nasceu na “Água do Paiol”, nome do sítio do avô paterno localizado em Bauru, onde morou por cinco anos. Aos 9 já respirava os ares de Botucatu. Em específico, a Vila dos Lavradores.

Na época, o pai, Luís Francisco Bergamasco, já trabalhava para a Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) e a mãe, Maria Araújo Bergamasco, era costureira. Ambos se desdobravam para oferecer a melhor educação à Ivone e a outros quatro filhos. E foi justamente a Educação que cativou e mudou a vida dela.

Seguiu a área de Pedagogia, com magistério no EECA (antiga Escola Normal), e graduação na Faculdade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, cidade onde atuou profissionalmente de 1971 ao final de  1981. Lá, ingressou como professora primária, em uma escola do Itaim Paulista.

“Eu comecei como professora trabalhando em escola rural e participei do primeiro concurso estadual. Fui aprovada e me mudei para São Paulo, pois no interior já estavam preenchidas as vagas, e fiquei em terras paulistanas por 11 anos, onde trabalhei como Professora, Coordenadora Pedagógica e Supervisora de Ensino”, conta.

Quando voltou de São Paulo para Botucatu, foi Coordenadora Pedagógica na Escola Dr. Cardoso de Almeida e, em Itatinga, foi Diretora de Escola. Mais tarde, fez concurso para Supervisor de Ensino e ocupou uma vaga em Botucatu.. Foi Delegada de Ensino ao final de sua carreira no Magistério. É aposentada desde 1991.

“Minha mãe falava que eu nasci professora. E uma curiosidade é que fui aluna da primeira classe da Escola Cevila, primeira unidade noturna de Botucatu. Fiz a escolha certa. A profissão não me escolheu, eu que escolhi a profissão”, destaca.

Diante do atual cenário educacional no País, a professora aposentada acredita que a atual geração precisa aproveitar bem as oportunidades e possibilidades disponíveis, considerando-se o avanço tecnológico da atualidade. Hoje o conhecimento está mais ao alcance de todo

“A minha geração passou por um período de grandes mudanças. Participamos de muitos processos e tudo era mais custoso. Os recursos eram escassos. Hoje, a maioria das pessoas tem maiores e melhores oportunidades. Basta você dar o seu melhor”, completa.

Dedicação ao próximo

Casada com Antonio Cláudio Calore há quase 50 anos, Dona Ivone tem dois filhos: Cláudio Eduardo e Luciana, e três netos. Hoje em dia, além de se dedicar à costura e à pintura, atua na Pastoral Diocesana da Educação e há 17 anos auxilia com trabalhos voluntários na Sociedade de São Vicente de Paulo, entidade que existe mundialmente há 180 anos e, em Botucatu e região reúne mais de 300 membros.

“A missão principal dos Vicentinos é cuidar de famílias. Vamos até as casas e conhecemos a realidade delas. Reunimo-nos semanalmente [toda terça-feira, às 19h30h, na Rua Dr. Jaguaribe – nº1200,]. Para mim, o tempo é a única coisa que você tem e procuro não desperdiçar o meu. Acredito que este é o bem que eu tenho e o preencho com as coisas em que acredito”, enfatiza.

Quando o assunto é o “Bairro”, Dona Ivone lembra o cinema, que à época era uma das poucas opções de lazer e diversão, além dos “clubinhos” em que a moçada costumava se reunir aos domingos. “Nesse lugar tem um bairro que se chama Bairro.”(Joel Spadaro). Temos que preservar essa história e repassar para os outros. Trabalhei e vivi aqui. O lugar sempre é bom, depende do que você faz nele”, conclui.