Infectologia faz homenagem a residentes da que atuaram na pandemia em Botucatu

A Disciplina de Infectologia do Departamento de Infectologia, Dermatologia, Diagnóstico por Imagem e Radioterapia da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB/Unesp) realizou na tarde de quinta-feira (29), uma sessão em homenagem aos residentes que concluíram o Programa de Residência em Infectologia e também a todos os residentes da especialidade pela atuação no enfrentamento à pandemia da Covid-19.

A mesa das autoridades contou com as presenças da Dra. Lenice do Rosário de Souza, Professora Associada da FMB; do Dr. Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza, Professor Adjunto da FMB; da Dra. Erika Alessandra Pellison Nunes da Costa, responsável pelo Programa de Residência Médica (PRM) em Infectologia e da Dra. Cátia Regina Branco da Fonseca, coordenadora do Conselho de Residência Médica (Coreme/FMB).

O grupo que concluiu a Residência em Infectologia é formado por Alexandre Albuquerque Bertucci, Helena Alvarenga Sardenberg e Stephanie Valentini Ferreira Proença. Também foi homenageado Bruno Cardoso de Macedo, que encerrou sua participação no Programa de Infecção Hospitalar.

Em breves palavras, Stephanie manifestou a gratidão dos residentes pelos ensinamentos e a forma acolhedora com que foram tratados nesses últimos três anos. “A escola que vocês ofereceram para nós, tanto no quesito do aprendizado teórico quanto no acolhimento como seres humanos, foi incrível. Nesses três anos vocês nos fizeram sentir parte de uma família. Só tenho a agradecer porque o crescimento é muito grande e não tenho nem como quantificar isso. Obrigado, de verdade pelo que fizeram por nós”.

Bruno Macedo, que após passar pela residência em Infectologia, conclui sua especialização em infecção hospitalar, destacou os laços que construiu com a FMB. “Fiz aqui minha graduação, minha residência em infectologia e agora a infecção hospitalar. Ainda tenho um caminho a seguir, mas posso dizer que aqui é minha segunda casa. Foi aqui que tive alguns dos meus maiores aprendizados, não apenas como médico, mas como ser humano. Aprendi a brigar pelo paciente, fazer o que é certo. Não teria essa formação em outro lugar”.

Houve o descerramento de uma placa que eternizará os nomes dos residentes que atuaram no enfrentamento da pandemia de COVID-19. São eles: Alexandre Albuquerque Bertucci, Brenda Camila Reck de Oliveira, Bruno Cardoso de Macedo, Daniela Anderson da Silva, Eliaquim Ribeiro de Oliveira, Flávia Dias Alcântara de Oliveira, Flávio Pasa Brandt, Helena Alvarenga Sardenberg, Patrik Nepomuceno Pereira, Paula Hattori Tiba e Stephanie Valentini Ferreira Proença.

De pai para filha

Coube ao Dr. Trajano Sardenberg, Professor Assistente da FMB, representar a filha Helena, que esteve entre os que concluíram a residência. Por motivo de viagem, ela não pôde estar presente à sessão. Médico experiente, que neste ano completa 40 anos de graduação, ele destaca o fato da FMB oferecer ao país novos especialistas em Infectologia, fundamentais em tempos de pandemia.

“A formatura de um médico residente é sempre um evento importante. A formatura de médicos infectologistas, em um momento de pandemia, é de uma relevância enorme. Nós não podemos esquecer que esses médicos enfrentaram a pandemia na linha de frente, em contato com os pacientes, ainda na era pré-vacina. Eu, particularmente, fico contente em saber que minha filha participou disso junto com seus colegas. É um enfrentamento muito difícil, mas com perseverança, estudo e trabalho a gente consegue vencer com ajuda dos médicos jovens”.

Questionado sobre qual conselho daria à filha, que começa a construir sua trajetória profissional na área médica, Trajano sentenciou. “Todo médico tem que colocar uma coisa na frente dele: o paciente. O interesse da saúde do paciente está acima de tudo”.

Reconhecimento

O professor Carlos Magno Fortaleza enalteceu o compromisso dos residentes no atendimento aos pacientes da Covid-19 e o modo resiliente com que enfrentaram as dificuldades impostas pela pandemia. “Todos tiveram desempenho heróico e compromisso contínuo durante essa pandemia de Covid-19. Não só se aplicaram ao aprendizado, mas também em prestar assistência de altíssima qualidade e com grande ética aos nossos pacientes. Nós estamos entregando ao mercado profissionais que passaram pela mais difícil prova que é cuidar de pessoas durante uma pandemia. Em alguns momentos eles se desdobraram de forma sobre-humana. Isso foi algo que nos surpreendeu e mostrou a capacidade imensa que essa nova geração tem”.

Os desafios impostos pela pandemia também foram ressaltados pela Dra. Lenice do Rosário, ao destacar a longevidade do Programa de Residência em Infectologia da FMB, que neste ano completa 43 anos. “Esses residentes passaram por três anos de formação e como todos sabemos, desde o ano passado vivenciando a pandemia de Covid-19. Trabalharam muito. Esta especialidade acabou sendo muito importante para o controle e o manejo dos pacientes. Porém, é preciso destacar que eles estão saindo com uma formação geral em doenças infecciosas, uma grande contribuição à medicina brasileira”.

Para Dra. Cátia Fonseca, representante do Coreme, os residentes ainda em processo de formação, se depararam com situações complexas, mas demonstraram grande capacidade de superá-las.“Acho que esse momento de reconhecimento ao trabalho que desempenharam representa a valorização do ser humano, do médico que enfrentou, aqui dentro e lá fora, uma enorme pressão. Acho que é a oportunidade de agradecermos a eles pela capacidade que tiveram de passar por isso, se dedicarem a uma grande causa durante a formação. Aprender e levar esse aprendizado para onde forem trabalhar agora”.

Na mesma linha, a Dra. Erika Pellison ressalta o compromisso dos residentes com a medicina,  justamente no momento em que o país atravessa uma das mais graves crises sanitárias de sua história. “Garra, ética, não faltaram a eles em nenhum momento. A gente percebeu isso o tempo inteiro. É louvável mesmo e nosso sentimento é de gratidão por tudo que fizeram”.

Programa de Residência

O Programa de Residência Médica (PRM) em Infectologia da UNESP – Faculdade de Medicina de Botucatu é oferecido desde 1978. Credenciado pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM – MEC), oferece três vagas e tem a duração de três anos.

O objetivo desse programa é gerar médicos especialistas altamente capacitados em Infectologia. Para tanto, impõe-se o estudo das manifestações clínicas, condutas diagnóstica e terapêutica de doenças infecciosas e parasitárias. A compreensão desses fatos não é possível, porém, sem a inclusão da etiopatogenia, da epidemiologia, da fisiopatologia e da profilaxia dessas doenças.

O programa ainda conta com intensa grade de preceptoria teórica, baseada em reuniões que discutem tanto temas básicos quanto avançados em Infectologia, além de reuniões anátomo-clínicas. Os residentes também têm oportunidade de se aperfeiçoar em eventos científicos locais, bem como congressos e conferências tradicionais da área.

Fonte e fotos FMB/Unesp