01 março 2026
As trajetórias dos professores Maeli Dal Pai, Robson Francisco Carvalho e Sarah Santiloni Cury em Botucatu revelam como a formação acadêmica no IBB/Unesp constrói laços duradouros e impulsiona a ciência

O Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu (IBB/Unesp) apresenta uma nova edição da série “Gerações do IB”, que evidencia como a formação acadêmica e científica construída no Instituto se desdobra ao longo das gerações. Nesta matéria, três trajetórias se entrelaçam em torno da pesquisa em Biologia Estrutural, Funcional e Genética: a professora Maeli Dal Pai, docente titular do Departamento de Biologia Estrutural e Funcional; o professor Robson Francisco Carvalho, docente do mesmo departamento e vice-coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciências Biológicas Genética; e a professora Sarah Santiloni Cury, do Departamento de Genética, Microbiologia e Imunologia.
Unidos por relações de orientação, parceria acadêmica e convivência institucional, eles representam diferentes momentos da história do IBB/Unesp, conectados pela ciência, pelo compromisso com a universidade pública e pela formação de novas gerações de pesquisadores.
Primeiros passos
A história da professora Maeli Dal Pai no Instituto começou ainda como aluna do curso de Ciências Biológicas. Vinda de escola pública, o ingresso na universidade pública marcou profundamente sua trajetória. “O ingresso em uma universidade pública de qualidade representou o início de uma mudança e foi uma oportunidade única na minha vida pessoal e profissional”, recorda.
Após concluir o mestrado em Anatomia, Maeli ingressou como docente no IBB/Unesp em 1989, no então Departamento de Morfologia, onde construiu toda a sua carreira acadêmica, tornando-se professora titular. Foi ainda no início da graduação que percebeu sua vocação para a pesquisa, ao realizar estágio em Anatomia e conquistar sua primeira bolsa de iniciação científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A partir desse momento, consolidou sua formação nas áreas de Morfologia e Histologia.
O professor Robson Francisco Carvalho também construiu sua relação com o IBB/Unesp a partir de um sonho que parecia distante, mas possível. Ex-aluno do Colégio La Salle, em Botucatu, ele via a Unesp como uma oportunidade transformadora.
“Para muitos colegas cujas famílias já tinham vínculo com o ensino superior, a universidade parecia mais próxima. Para mim ainda era uma realidade distante, embora eu me esforçasse muito e acreditasse que seria possível. Não via como uma opção deixar a cidade para cursar outra universidade, em especial, por entender a limitação financeira associada a uma decisão como essa. Felizmente, fui aprovado para ingressar na Unesp, realizando um sonho que, inicialmente, parecia tão distante”, relembra.
Estimulado por pessoas próximas, incluindo colegas e professores do colégio, decidiu apostar na graduação em Ciências Biológicas no IBB/Unesp, uma escolha que mudaria completamente seu destino profissional.
Já no primeiro ano da graduação, encantou-se pelas disciplinas de Biologia Celular e Histologia, iniciando sua trajetória científica no Departamento de Morfologia, sob orientação da professora Maeli. “Ali começou não apenas uma formação acadêmica, mas uma amizade e uma parceria que foram fundamentais para minha trajetória como pesquisador e docente”, destaca.
De orientando a orientador
Para Maeli, Robson foi seu primeiro orientando de iniciação científica, ainda como aluno de graduação, que, desde o início, chamou a atenção pela dedicação e pelas habilidades essenciais à formação científica.
“Ele sempre teve autonomia, liderança, iniciativa, facilidade de comunicação e excelente capacidade de trabalho em equipe, essas características sempre estiveram presentes”, avalia Maeli.
Essas características se fortaleceram ao longo da pós-graduação e se consolidaram quando Robson retornou ao Instituto como docente. “Ver um aluno de iniciação científica, de pós-graduação e de pós-doutorado tornar-se colega de departamento foi algo muito simbólico”, afirma a professora.

Robson reconhece a influência direta da orientadora em sua formação científica e humana.
“O ambiente do laboratório da professora Maeli sempre foi extremamente propício ao desenvolvimento na pesquisa, com orientação sólida, suporte contínuo e um compromisso excepcional com todas as dimensões da universidade”, relembra.
Sua formação inicial, focada na morfologia e na histologia clássica, tornou-se a base para pesquisas mais recentes na fronteira da bioinformática, das multi-ômicas e da inteligência artificial aplicadas ao câncer e à caquexia.
“O que fazemos hoje ao buscar padrões em grandes matrizes de dados é, em essência, muito semelhante ao exercício de observar lâminas histológicas. A base morfológica me ajuda a não perder o vínculo com a biologia real por trás dos dados”, explica.
Novas gerações, novos olhares
A trajetória da professora Sarah Santiloni Cury no Instituto também começou ainda na graduação em Ciências Biológicas e seguiu de forma contínua pela pós-graduação até o pós-doutorado.
“O contato precoce com a iniciação científica foi decisivo para entender o método científico e aprender, acima de tudo, a fazer boas perguntas”, conta. Ao longo desse percurso, a transição de aluna para pesquisadora aconteceu de forma orgânica, à medida que se envolvia mais profundamente com projetos e desenvolvia autonomia científica.
Além da formação contínua no IBB/Unesp, a trajetória de Sarah foi marcada por experiências que ampliaram sua maturidade acadêmica e consolidaram sua identidade como pesquisadora. Durante a pós-graduação, realizou intercâmbio para treinamento científico na Itália e iniciou sua formação em análises computacionais aplicadas a dados ômicos de pacientes com câncer, um ponto decisivo em sua carreira.
“Não foi uma decisão pontual seguir a carreira acadêmica, mas um processo construído a cada projeto, discussão científica e desafio superado”, explica. Nesse caminho, a genética, a bioinformática e as abordagens multi-ômicas passaram a integrar seu campo de atuação, sempre em diálogo com a pesquisa básica desenvolvida no Instituto e com foco em problemas biológicos complexos e de relevância clínica.

Orientada pelo professor Robson desde a iniciação científica, Sarah destaca que o que mais marcou essa relação foi a confiança.
“Ele sempre incentivou autonomia intelectual, rigor científico e responsabilidade, sem abrir mão do diálogo e do acolhimento”, afirma. Hoje, como colega docente, a relação se transforma, mas mantém o respeito, a parceria e o aprendizado mútuo.
Sarah também reconhece a influência geracional da professora Maeli, mesmo de forma mais indireta.
“Ela representa um exemplo de docente forte, inteligente e acolhedora, que constrói relações humanas profundas com os alunos. Gostaria que meus alunos se lembrassem de mim com o mesmo carinho que tenho por ela”, compartilha.
Laços que atravessam gerações
Para Maeli, ver ex-orientandos de diferentes gerações atuando hoje no mesmo Instituto é a materialização de um legado.
“Essa convivência mostra que o conhecimento não se perde; ele é compartilhado, aprimorado e assume novos rumos com os avanços tecnológicos. Quando diferentes gerações ocupam o mesmo espaço e trocam experiências, constroem juntas uma ciência que ganha força e propósito. Esse encontro de trajetórias transforma o aprendizado em inovação, ampliando o alcance das contribuições para a Instituição e para a sociedade”, afirma.
Já Robson, reforça que essa dinâmica intergeracional cria um espaço vivo de diálogo. “A experiência dos mais antigos se encontra com a inquietação dos mais jovens, e dessa troca nasce uma ciência construída de forma coletiva”, afirma.

O professor também ressalta que o seu maior orgulho é ver os orientandos se tornarem profissionais competentes e pessoas generosas. “Se pude contribuir para isso, considero um privilégio. O legado que tento construir, dia após dia, é justamente esse: incentivar uma ciência feita com excelência, mas também com sensibilidade humana”, conclui.
Ao olhar para o futuro, Sarah se vê como uma ponte entre gerações, áreas e metodologias.
“Espero contribuir para a formação de profissionais e pesquisadores altamente capacitados, éticos e críticos, preparados para atuar no mercado de trabalho de forma responsável e qualificada. Meu objetivo é ajudar a formar pessoas capazes de aplicar o conhecimento científico para resolver problemas reais, dialogar com diferentes áreas e gerar impacto positivo na sociedade”, destaca.
Nas trajetórias de Maeli, Robson e Sarah, o Gerações do IB revela como a ciência se constrói no tempo: por meio de encontros, vínculos humanos e compromisso contínuo com a formação, a pesquisa e a universidade pública.
Material produzido pela Assessoria de Comunicação e Imprensa ACI/IBB
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