Gaeco obtém bloqueio de bens de investigados na Operação João de Barro em Bauru

Esquema envolvia desvio de verbas da Cohab de Bauru

A pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a 4ª Vara Criminal de Bauru bloqueou bens de investigados na Operação João de Barro, envolvidos no desvio de verbas da Companhia de Habitação Popular (Cohab) de Bauru. A decisão de bloqueio, até o limite de 54.879.400,00, atinge Edison Bastos Gasparini Junior, Mariana Gonçalves Dias Gasparini, Izabel Cristina Gonçalves Dias Gasparani e Paulo Sérgio Gobbi, e inclui bens que os investigados tenham transferido a pessoas jurídicas das quais façam ou tenham feito parte. Houve ainda a nomeação de um administrador para assumir a administração do patrimônio.

A Operação João de Barro foi deflagrada em dezembro de 2019, com o cumprimento de mandados de busca. O fundamento inicial da investigação foram quatro acordos firmados pela Cohab-Bauru junto a construtoras no âmbito de processos judiciais, que seguem sendo investigados, cada qual em um procedimento próprio.

Entretanto, durante a investigações, a oitiva de funcionários da Cohab e a análise de documentos obtidos apontaram para uma nova forma de desvio de dinheiro da companhia. Os indícios de um esquema para apropriação direta de dinheiro da Cohab, sob o pretexto de pagamento da dívida do Seguro Habitacional, justificaram a instauração de novo procedimento investigatório criminal, em março deste ano.

Segundo o apurado, valendo-se da existência de uma dívida do Seguro Habitacional referente ao período de julho de 1998 a outubro de 2010, e sob a justificativa de pagamento dessa dívida, entre julho de 2007 e dezembro de 2019 foram realizados inúmeros saques nas contas da Cohab-Bauru, sempre na “boca do caixa”, totalizando-se, sem correção, a expressiva quantia de R$ 54.879.400,00.

Diante do quadro, e visando a assegurar, em tese, o ressarcimento do dano e a perda de eventual proveito do crime, em 15 de abril o Gaeco ajuizou ação de sequestro de bens contra Edson Bastos Gasparini Junior, Izabel Cristina Gonçalves Dias Gasparini, Mariana Gonçalves Dias Gasparini e Paulo Sergio Gobbi, além de empresas em nome dessas pessoas. Além disso, haja vista a existência de inúmeros imóveis, muitos deles alugados, e do exercício de atividade pecuária, foi solicitada também a nomeação de um administrador judicial, para que os requeridos sejam desapossados desses bens e não prossigam usufruindo dos mesmos.

A abrangência do pedido com relação a Izabel Cristina Gonçalves Dias Gasparini e Mariana Gonçalves Dias Gasparini, bem como a suas empresas, decorre de elementos que indicam a possibilidade de envolvimento com atividades voltadas à dissimulação e ocultação do dinheiro ilícito.

A investigação prossegue para a apuração seja de outros possíveis envolvidos nesse esquema de desvio, seja na dissimulação ou ocultação dos valores desviados.

Assessoria Ministério Público SP