FMVZ/Unesp pesquisa uso de campos eletromagnéticos para melhorar a qualidade da carne bovina

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FMVZ/Unesp pesquisa uso de campos eletromagnéticos para melhorar a qualidade da carne bovina 13 janeiro 2026

Estudos de Botucatu apontam o potencial dessa tecnologia inovadora, segura e sustentável para a indústria de alimentos.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp, câmpus de Botucatu estão investigando como campos eletromagnéticos de frequências extremamente baixas, conhecidos pelas siglas ELF-EMF (Electromagnetic Fields of Extremely Low Frequency) podem influenciar a qualidade da carne bovina.

O estudo, desenvolvido pelo MeatLab – Laboratório de Ciência da Carne da FMVZ – acaba de ser publicado na revista científica internacional “Food and Bioprocess Technology” da editora Springer Nature (https://link.springer.com/journal/11947), reforçando o protagonismo da FMVZ na área da ciência e tecnologia de alimentos.

A pesquisa é resultado de uma parceria público privada entre a FMVZ e a Effatha Technology (https://www.effatha.com.br/), empresa nacional de tecnologia, que se define como a primeira “NatSciTech” (Nature Science Technology) do mundo. Conhecida por utilizar os ELF-EMF para atuar em diversos setores, como o agronegócio, alimentos, medicina e ambiente.

Os ELF-EMF utilizados na pesquisa são ondas físicas geradas por correntes elétricas de baixa frequência, com variações de 0,000001 a 99,999999Hz. Diferentemente de tecnologias térmicas ou químicas, ELF-EMF não aquecem o alimento nem alteram sua composição de forma direta. O diferencial da Effatha é seu algoritomo, que cria sequências ELF-EMF baseadas nas informações atômicas das moléculas alvo. Estudos recentes indicam que eles podem interagir com estruturas microscópicas da carne, como proteínas musculares e água no presente tecido.

Essas observações, motivaram o grupo da FMVZ e da Effatha investigar se a aplicação do ELF-EMF poderia influenciar parâmetros importantes da qualidade da carne bovina, como textura, cor e organização estrutural do músculo ao longo do armazenamento refrigerado.

O estudo foi então desenvolvido por uma equipe multidisciplinar vinculada ao MeatLab da FMVZ-Unesp. Participaram diretamente do projeto o doutorando Lucas Rodrigo Camargo, os professores Welder Angelo Baldassini e Luis Artur Loyola Chardulo. O estudo também contou com a colaboração de pesquisadores Marcelo Coutinho e Gregori Ravodoski da empresa Brazil Beef Quality (https://www.brazilbeefquality.com/), que foi responsável por conduzir o teste sensorial com consumidores de carne.

O experimento foi conduzido com amostras de carne bovina submetidas à aplicação controlada de ELF-EMF após o abate. As amostras tratadas foram comparadas com amostras controle, que não receberam o ELF-EMF.

Durante o período de armazenamento, os pesquisadores avaliaram diferentes indicadores de qualidade da carne, combinando análises físicas, químicas e estruturais. O objetivo era entender não apenas se o ELF-EMF gerava efeitos, mas como esses efeitos se manifestavam no músculo.

Segundo os autores, os resultados indicaram que a tecnologia pode influenciar a organização das proteínas musculares e o comportamento da água no tecido, fatores diretamente relacionados à maciez e à aparência da carne, atributos fundamentais tanto para a indústria quanto para o consumidor.

A aplicação do ELF-EMF reduziu a força de cisalhamento (força necessária para cortar as fibras musculares) e a perda por gotejamento, melhorando a maciez instrumental e a retenção de água na carne. Além disso, o tratamento aumentou a estabilidade oxidativa (parâmetro global para avaliação de qualidade de óleos e gorduras) e a aceitação sensorial pelos consumidores, resultando em maiores escores de suculência, sabor e aceitação global, indicando o potencial do ELF-EMF como uma tecnologia inovadora para otimizar a qualidade da carne bovina.

De acordo com Lucas Camargo, o trabalho representa um passo importante na busca por tecnologias emergentes que possam ser aplicadas à indústria de alimentos de forma segura e sustentável. “A ideia não é substituir métodos tradicionais, mas compreender novas possibilidades que possam agregar qualidade ao produto final”, explica.

A publicação do artigo na “Food and Bioprocess Technology” reforça a relevância internacional da pesquisa desenvolvida na Unesp. “Esse primeiro estudo abre caminho para futuras investigações sobre o uso de campos eletromagnéticos como ferramenta auxiliar no processamento e conservação de alimentos”, comenta o professor Baldassini. “Embora ainda sejam necessários novos estudos para avaliar a viabilidade em escala industrial, os resultados apontam para um campo promissor de pesquisa, alinhado às demandas atuais por tecnologias mais limpas e eficientes”.

Novos estudos desenvolvidos pelo MeatLab em parceria com a Effatha e indústrias frigoríficas estão em desenvolvimento, contando com o apoio financeiro da Capes, Fapesp (processos 2023/05002–3 e 2024/09866-5) e CNPq.

Fonte: Assessoria FMVZ/Unesp

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