Padre Anderson Antonio Pedroso, que foi cura da Catedral de Sant’Ana entre 2001 e 2007, comanda a PUC-Rio desde 2022 e é destaque por tirar a instituição do vermelho e levá-la a uma receita bruta de R$ 1,285 bilhão em 2025.

Um religioso com forte ligação com Botucatu ganhou destaque em uma das principais publicações de economia e negócios do país. Padre Anderson Antonio Pedroso, que durante seis anos atuou na Catedral Metropolitana de Sant’Ana, é personagem de uma reportagem publicada pela revista Exame, que apresenta os resultados de sua gestão como reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Com o título “Como este padre tirou uma universidade do vermelho e a levou para o clube do bilhão”, a reportagem mostra a transformação financeira e administrativa da universidade desde que Padre Anderson assumiu a reitoria, em 2022.
Segundo a Exame, entre 2015 e 2021, a atividade acadêmica da PUC-Rio enfrentava um desequilíbrio estrutural de aproximadamente R$ 60 milhões por ano. O cenário também foi impactado pela pandemia e pelas transformações enfrentadas pelo ensino superior.
Os números apresentados pela publicação mostram uma mudança significativa. A PUC-Rio encerrou 2025 com receita bruta de R$ 1,285 bilhão, crescimento de 15,3%, e superávit de R$ 80,9 milhões. O resultado positivo foi o dobro dos R$ 40,3 milhões registrados em 2024.
Mudanças na gestão
A reportagem aponta que uma das primeiras iniciativas de Padre Anderson foi contratar uma auditoria externa para conhecer detalhadamente a situação financeira da instituição.
A partir desse diagnóstico, a universidade estruturou o Planejamento Estratégico 2024-2030 e um plano diretor financeiro, além de promover mudanças na governança, no sistema de compras e nas políticas de contratos. Também foram criados um escritório de processos e um programa de integridade e compliance.
Outro ponto destacado pela Exame foi o crescimento das pesquisas patrocinadas. Em 2025, essa área movimentou R$ 400,5 milhões em receitas, alta de 29,2%. A PUC-Rio mantém pesquisas de alta complexidade em segmentos como petróleo, gás, energia e transição energética.
Apesar dos números financeiros, Padre Anderson ressalta na reportagem que a universidade não tem como objetivo o lucro. A sustentabilidade financeira, segundo ele, é um meio para permitir que a instituição cumpra sua missão educacional e social.
A Exame também aponta que, em 2025, a PUC-Rio concedeu 4.204 bolsas, alcançando 44,9% do corpo discente. A instituição também investiu cerca de R$ 3 milhões em um programa de permanência estudantil e viabilizou aproximadamente 100 mil refeições para alunos.
Uma trajetória ligada a Botucatu
Antes da trajetória acadêmica e administrativa que o levou ao comando da PUC-Rio, Padre Anderson teve uma importante passagem por Botucatu.
Anderson foi cura da Catedral Metropolitana de Sant’Ana entre 2001 e 2007. Durante esse período, exerceu concomitantemente a função de reitor do Seminário Arquidiocesano, participando diretamente da vida religiosa da cidade e da formação de seminaristas na Arquidiocese de Botucatu.
Posteriormente, seguiu sua formação e trajetória junto à Companhia de Jesus. Padre Anderson é doutor em História da Arte Contemporânea, com ênfase em Estética Filosófica, pela Sorbonne, em Paris.
Chegou à PUC-Rio em 2020 como vice-reitor e professor e, desde 2022, ocupa o cargo de reitor da universidade.
Agora, mais de duas décadas depois do início de sua atuação na Catedral de Sant’Ana, sua trajetória volta a ganhar projeção nacional. Desta vez, nas páginas da Exame, com destaque para os resultados de uma gestão que promoveu reorganização financeira e administrativa, ampliou receitas de pesquisa e levou a PUC-Rio a superar a marca de R$ 1 bilhão em receita bruta anual.
Fonte: Revista Exame