Ex-alunos do Colégio Embraer protestam contra abertura de vagas para pagantes

O Instituto Embraer anunciou na última terça-feira, dia 05, que destinará 20% do total de vagas dos Colégios Embraer de ensino médio, em São José dos Campos e Botucatu, no interior paulista, para alunos pagantes.

A medida entra em vigor a partir do ano letivo de 2019 e segundo a Embraer, reflete tendências do terceiro setor no Brasil e no mundo. Mas a notícia causou um protesto de ex-alunos do colégio em Botucatu, que se reuniram e postaram nas redes sociais uma carta onde repudiam a iniciativa.

A nota dos ex-alunos

“Através desta, nós, eternos alunos do Colégio Embraer – Casimiro Montenegro FIlho, repudiamos a nova medida tomada pelo Instituto Embraer, que estabelece, no processo seletivo dos Colégios Embraer, a reserva de 20% das vagas para alunos pagantes provindos de escolas particulares a partir de 2019.

O projeto de Colégio que sempre foi defendido – e transmitido a nós enquanto alunos – era o de uma educação gratuita e de qualidade para aqueles que durante sua trajetória de vida não tiveram essa oportunidade. Era esse o maior objeto de orgulho da Instituição, amplamente divulgado e sustentado pelo Instituto e pela comunidade envolvida – sendo esses, inclusive, motivos pelos quais a Embraer recebe alguns benefícios fiscais e razão pela qual o terreno onde hoje encontra-se o Colégio de Botucatu foi resultado de uma doação da Prefeitura Municipal.

Agora, anunciada a reserva de vagas, esse ideal mostra-se ameaçado e corrompido por motivos não transparentes. A justificativa fornecida vagamente pelo Instituto Refere-se somente à busca por sustentabilidade a longo prazo e diversificação do público atendido em nome da integração social. Quanto ao primeiro dos argumentos, este seria até válido, diante de um cenário de crise econômica enfrentada pela empresa, porém esta não é a realidade que se vê, uma vez que, entre 2015 e 2017, seu lucro líquido consolidado triplicou, de acordo com o DRE da própria. Em relação ao segundo, este demonstra-se falacioso. Ora, diversificação e integração social referem-se ao acesso de pessoas a lugares e oportunidades que não lhes seriam possíveis dadas suas realidades socioeconômicas, e não a retirada de oportunidades para que isso aconteça.

Para além, a medida adotada abre precedentes perigoso que ameaça a segurança o projeto: uma vez que o colégio deixa de ser integralmente voltado aos estudantes de escola pública, aqueles que mais carecem de oportunidades, nada impedirá que as cotas para alunos pagantes se ampliem indefinidamente.

Hoje, muitos de nós estudamos gratuitamente nas melhores universidades públicas e particulares do país, lugar esse que nos seria negado, não fosse o papel fundamental do Colégio Embraer em nossas vidas.

Assim, declaramos nossa repudia contra a descaracterização desse projeto tão necessário diante da realidade social do Brasil. Em uma sociedade tão desigual, em que as oportunidades são tão restritas, as poucas ferramentas de combate a essas distorções não podem ser ameaçadas, e é justamente por esse o motivo pela qual nós dizemos não,

Dizemos não a cota para alunos pagantes,
dizemos não a qualquer redução nas vagas,
Dizemos não à redução de oportunidades!

Disclaimer: Essa nota é de responsabilidade única e exclusiva dos ex alunos do Colégio Embraer de Botucatu e sua redação não contou com a participação de nenhum colaborador ou pessoa ligada ao quadro de funcionários e alunos da Instituição”, diz a carta que foi distribuída nas redes sociais.

O grupo ainda está utilizando nas redes sociais a hashtag #OportunidadePraQuemPrecisa.

Em respostas ao questionamento a Embraer enviou uma nota através de sua assessoria de impressa:

“O projeto continua sendo de caráter social. A Embraer vai manter 100% de gratuidade aos candidatos às 96 vagas dedicadas aos jovens de baixa renda proveniente de ensino público da região de Botucatu. Somente 24 vagas serão abertas para toda sociedade (sem restrição social) que se interesse pelo ensino de qualidade proposto pelo colégio ao preço de custo. Dessa maneira, o processo seletivo 2018 passará a ser aberto a toda a sociedade e o critério socioeconômico mantido aos que optarem pela bolsa gratuita, comprovando renda bruta per capita de até um salário mínimo e meio nacional, limitado a nove salários mínimos por família. Os demais alunos contribuirão com valor mensal equivalente aos custos do programa. Não há geração de receita para a companhia e nada muda para os alunos que já estão no colégio, divididos pelos três anos do ensino médio. A nova iniciativa reflete tendências do terceiro setor no Brasil e no mundo, ao ampliar as fontes de fomento, visando à sustentabilidade no longo prazo, bem como ao promover uma maior integração social, a partir da diversificação do público atendido.

Objetivos, segundo o Instituto

De acordo com o Instituto, os outros 80%, ou seja, 256 vagas abertas anualmente nas duas unidades, permanecem gratuitas, dedicadas aos alunos de baixa renda e egressos da rede pública de ensino.

 

Dessa forma, o processo seletivo 2018 passará a ser aberto a toda a sociedade e o critério socioeconômico mantido aos que optarem pela bolsa gratuita, comprovando renda bruta per capita de até um salário mínimo e meio nacional, limitado a nove salários mínimos por família. Os demais alunos contribuirão com valor mensal equivalente aos custos do programa.

Os Colégios Embraer contam com 960 alunos distribuídos pelas três séries do ensino médio e oferecem aos alunos educação em tempo integral, uniformes, materiais didáticos, alimentação e transporte. O edital de abertura de vagas, com mais detalhes, será publicado em julho no site www.vunesp.com.br.