10 julho 2026
Pesquisa analisou uma década de dados meteorológicos e reforça a importância do monitoramento contínuo e de ações preventivas entre maio e setembro.

Um estudo desenvolvido no Programa de Pós-graduação em Engenharia Agrícola da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp identificou que os meses de inverno concentram o maior risco de ocorrência de incêndios florestais em Botucatu. A pesquisa analisou dados meteorológicos registrados entre 2015 e 2024 e concluiu que julho e agosto são os períodos mais críticos devido à baixa umidade do ar e aos longos intervalos sem chuva.
Os resultados foram publicados na revista científica Ciência Florestal e têm como objetivo fornecer suporte técnico a produtores rurais, empresas do setor florestal e órgãos públicos responsáveis pela prevenção e combate às queimadas.
Para chegar às conclusões, os pesquisadores utilizaram informações diárias de precipitação e umidade relativa do ar registradas pela Estação Meteorológica da Fazenda Experimental Lageado, da FCA/Unesp, aplicando a Fórmula de Monte Alegre (FMA), um dos principais índices utilizados no Brasil para estimar o risco de incêndios florestais.
A análise de quase 3.500 dias de observações meteorológicas revelou um padrão sazonal bem definido, com aumento significativo do risco entre maio e setembro.
2021 teve o cenário mais crítico
Entre os dez anos analisados, 2021 apresentou a situação mais preocupante. Naquele ano, foram registrados 92 dias consecutivos sem chuvas significativas, o que resultou no maior índice médio anual de risco de incêndios florestais de toda a série histórica.
Segundo um dos autores do estudo, o pesquisador José Rafael Franco, o risco climático não significa, necessariamente, que haverá mais incêndios.
“Para que um incêndio ocorra, é necessária uma fonte de ignição, que na maioria dos casos está relacionada à ação humana, seja por queimadas, acidentes ou outras atividades.”
O pesquisador destaca que a combinação entre condições climáticas favoráveis e ações humanas pode explicar os grandes incêndios registrados na região em 2024.
Distribuição das chuvas é fator decisivo
Outro resultado importante mostrou que a distribuição das chuvas ao longo do ano influencia mais o risco de incêndios do que o volume total de precipitação.
Mesmo em anos com índices pluviométricos próximos da média histórica, períodos prolongados de estiagem durante o inverno foram suficientes para elevar significativamente o potencial de ocorrência de queimadas.
O levantamento também aponta que os dias classificados com risco “muito alto” ou “máximo” representaram entre 35% e 55% do total anual, dependendo do ano. Nos meses de junho, julho e agosto, essas categorias chegaram a ultrapassar 80% dos dias.
Recomendações para prevenção
Com base nos resultados, os pesquisadores recomendam que propriedades rurais, empresas florestais e órgãos públicos intensifiquem as ações preventivas entre abril e setembro.
Entre as medidas sugeridas estão a manutenção de aceiros, treinamento de brigadas de incêndio, limpeza de material combustível, manutenção de estradas internas e equipamentos agrícolas, além do monitoramento diário das condições meteorológicas.
Segundo os autores, os dados poderão auxiliar a Defesa Civil e os órgãos ambientais no planejamento de campanhas educativas, fiscalização e mobilização de equipes antes do período mais crítico.
O estudo também alerta que as mudanças climáticas podem intensificar os períodos de seca e baixa umidade do ar nos próximos anos, reforçando a necessidade de ampliar as estratégias de prevenção e adaptação para reduzir os impactos ambientais, econômicos e sociais dos incêndios florestais.
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