16 janeiro 2026
Estudo com 5,8 milhões de brasileiros foi conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB/UNESP)

Um estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB/UNESP), em colaboração com a Universidade Federal do Ceará (UFC), traz alertas fundamentais para a gestão das próximas epidemias de dengue no Brasil. Ao analisar um volume massivo de 5,8 milhões de casos confirmados em 2024, os cientistas quantificaram como certas comorbidades elevam drasticamente as chances de hospitalização e morte.
O dado mais alarmante refere-se à Doença Renal Crônica (DRC): pacientes com esta condição apresentam um risco 3,09 vezes maior de morrer por dengue do que indivíduos sem a doença. O estudo, que será publicado no periódico científico internacional PLOS Neglected Tropical Diseases, é um dos maiores já realizados no mundo sobre o tema.
O peso da epidemia em números
Embora a dengue seja frequentemente vista como uma doença de recuperação rápida, a escala da epidemia de 2024 transformou pequenas porcentagens em crises humanitárias. Dos 5,8 milhões de casos analisados, 175.509 pessoas precisaram de hospitalização; 7.665 pacientes foram a óbito e, no total, mais de 178 mil pessoas apresentaram o chamado “desfecho composto” (morte, hospitalização ou progressão para dengue grave).
“Quando olhamos para a escala populacional, percentuais que parecem pequenos tornam-se um volume absoluto expressivo de pessoas que demandam atendimento hospitalar simultaneamente, pressionando todo o sistema de saúde”, explica o professor Luis Gustavo Modelli de Andrade, um dos autores do estudo.
Fatores de risco além da Doença Renal
A pesquisa utilizou modelos estatísticos avançados (IPTW) para garantir que os resultados não fossem distorcidos por diferenças de idade ou classe social. Além da DRC, os pesquisadores identificaram que diabetes, hipertensão, doenças hematológicas e doenças autoimunes também aumentam significativamente o risco de piora clínica. O perfil de maior risco ainda inclui pacientes do sexo masculino e pessoas de idade avançada.
Os resultados oferecem um roteiro prático para autoridades de saúde e hospitais. Os autores defendem que: a Doença Renal Crônica deve ser incluída como critério prioritário imediato em protocolos de triagem; pacientes com as comorbidades identificadas devem receber monitoramento hemodinâmico e da função renal mais rigoroso desde os primeiros sintomas e o manejo de fluidos (hidratação) deve ser individualizado para evitar complicações nesses grupos vulneráveis.
“O estudo sustenta que a organização da assistência durante surtos precisa de um olhar proativo: identificar cedo quem tem maior risco para intervir antes que o quadro se torne irreversível”, conclui o professor Luis Gustavo.
Serviço:
Título do Estudo: Adverse dengue outcomes in patients with chronic kidney disease: A population-based analysis of 5·8 million individuals from Brazil
Periódico: PLOS Neglected Tropical Diseases (In Press)
Autores: Ricardo Augusto Monteiro de Barros Almeida, Leticia Lastória Kurozawa, Gabriel Berg de Almeida, Ricardo de Souza Cavalcante, Raoni de Oliveira Domingues-da-Silva, Elizabeth De Francesco Daher, Douglas Otomo Duarte, Luis Gustavo Modelli de Andrade.
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