07 janeiro 2026
A pesquisa demonstrou que o extrato da planta conhecida como periquito-da-praia reduziu inflamações, protegeu o tecido articular em camundongos com artrite.

Uma planta tradicionalmente utilizada na medicina popular brasileira apresenta potencial científico para auxiliar no tratamento da artrite e de outras condições inflamatórias, segundo estudo com protagonismo do Instituto de Biociências de Botucatu (IBB/Unesp). A pesquisa demonstrou que o extrato da planta Alternanthera littoralis, conhecida como periquito-da-praia, reduziu inflamações, protegeu o tecido articular e apresentou um perfil de segurança promissor em camundongos.
O trabalho foi uma parceria entre 3 grandes instituições: a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), por meio da Dra. Cândida Kassuya; a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), representada pelo Dr. Marcos Salvador e a Unesp, com coordenação científica da professora Arielle Arena, docente do Departamento de Biologia Estrutural e Funcional do IBB/Unesp e coordenadora do Centro de Informação e Assistência Toxicológica, laboratório vinculado ao Instituto.
Parte relevante dos resultados foi gerada no contexto do mestrado do aluno Felipe Parizoto, da UFGD, orientado pela professora Arielle, que integra o programa de pós-graduação da instituição. Os resultados foram publicados no periódico internacional Journal of Ethnopharmacology, referência na área de etnofarmacologia.
Sobre a planta periquito-da-praia

Nativa do litoral brasileiro, a Alternanthera littoralis é utilizada há gerações por comunidades locais para o tratamento de inflamações, infecções e doenças parasitárias. Apesar desse uso tradicional, ainda havia poucas evidências farmacológicas que comprovassem, de forma sistemática, sua eficácia e segurança – lacuna que o estudo buscou preencher.
A pesquisa teve início com análises fitoquímicas das partes aéreas da planta, etapa que permite identificar os compostos bioativos responsáveis por possíveis efeitos terapêuticos. Para isso, foi preparado um extrato etanólico, obtido com o uso de álcool, método amplamente empregado em pesquisas científicas por sua eficiência e segurança, que posteriormente foi avaliado em camundongos com artrite.
Os resultados mostraram redução significativa do edema, melhora dos parâmetros articulares e menores sinais de degeneração das articulações nos grupos tratados, quando comparados aos controles. Também foi observada a modulação de mediadores inflamatórios e de marcadores relacionados ao estresse oxidativo.

“Nos modelos experimentais, observamos redução do edema, melhora dos parâmetros articulares e modulação de mediadores inflamatórios, sugerindo ações antioxidantes e de proteção dos tecidos”, explica a professora Arielle Cristina Arena.
Além da eficácia, a pesquisa deu ênfase à avaliação da segurança do extrato, conduzida no Laboratório de Toxicologia de Produtos Naturais e Sintéticos (LabToxNS), sediado no IBB/Unesp. Foram aplicados protocolos padronizados de toxicidade, e, nas doses avaliadas, não foram observados efeitos adversos relevantes nos animais de laboratório, indicando um perfil de segurança promissor para o avanço da pesquisa.
“É importante destacar que o extrato avaliado no estudo não equivale ao uso da planta in natura. No ambiente de laboratório, o material vegetal passa por um processo controlado de extração, com método definido, controle rigoroso de concentração e dose, padronização química e rastreabilidade do material botânico. Esses critérios são essenciais para garantir segurança, reprodutibilidade dos resultados e confiabilidade científica, o que não ocorre no uso direto ou caseiro da planta”, esclarece a professora Arielle.
Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores ressaltam que ainda não é possível recomendar o uso clínico da planta. São necessários estudos adicionais para isolar os compostos responsáveis pela atividade anti-inflamatória, avaliar a segurança em longo prazo, padronizar o extrato e, posteriormente, conduzir ensaios clínicos em humanos, além de cumprir as etapas regulatórias exigidas.
Segundo a professora Arielle, do IBB/Unesp, a pesquisa integra uma linha contínua de investigação desenvolvida em parceria entre UFGD, Unesp e Unicamp. “Nosso propósito é valorizar a biodiversidade brasileira e o conhecimento tradicional, mas sempre com base científica rigorosa, promovendo o uso seguro e racional de produtos naturais”, afirma.
O estudo reforça o papel do IBB/Unesp como referência em pesquisa básica e aplicada, conectando biodiversidade, inovação científica e impacto social, especialmente no campo das doenças inflamatórias crônicas, que afetam milhões de pessoas no Brasil e no mundo.
A pesquisa contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), por meio de diferentes projetos de fomento.
Repercussão internacional
A divulgação das contribuições do estudo teve repercussão em veículos de comunicação cientifica no Brasil e também na imprensa internacional. Confira:
https://www.gbnews.com/health/arthritis-symptoms-remedy-josephs-coat
https://www.thesun.co.uk/health/37722603/arthritis-herbal-remedy-reduces-pain-swelling/
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