Equipe de alunos da Unesp de Botucatu vence “Desafio Unicamp 2021”

Além de vencer pela avaliação da banca de jurados, a equipe composta por alunos da UNESP de Botucatu e da PUC-SP também foi escolhida como “melhor pitch” pelo voto popular.

Por Kátia Kishi/Agência de Inovação da Unicamp

A final do Desafio Unicamp 2021, competição de modelos de negócios baseados nas tecnologias da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e organizada pela sua Agência de Inovação (Inova), foi realizada na sexta-feira (02) no formato de webinar. O evento reuniu virtualmente 242 pessoas para assistir aos pitches dos modelos de negócios, desenvolvidos durante a competição, que decidiriam qual das seis equipes finalistas seria a vencedora da edição.

A competição teve a duração de três meses e a participação de 330 pessoas divididas em 82 equipes, que receberam treinamentos e entregaram atividades eliminatórias até afunilar entre os finalistas que se apresentaram no evento, dando corpo ao programa considerado importante para formação empreendedora promovida pela Universidade, conforme justificou o professor Antonio José de Almeida Meirelles, Tom Zé, reitor da Unicamp:

“Gostaria de destacar nessa minha fala a importância desse programa promovido pela Inova Unicamp que contribui na formação de pessoas com espírito empreendedor. Foram três meses de treinamentos como Lean Canvas, que qualificou os participantes sobre como desenvolver um modelo de negócio adequado no tipo de startup, e essa apresentação no formato de pitch para conquistar investidores. São iniciativas como essa que podem potencializar nosso papel junto à sociedade”, avaliou o reitor da Unicamp.

Essa importância na formação também foi destacada pela professora Ana Frattini, diretora-executiva da Inova Unicamp, que compartilhou sua experiência como mentora acadêmica da equipe vencedora do Desafio Unicamp 2013:

“Há alguns anos, participei como inventora e mentora acadêmica de uma equipe vencedora do Desafio Unicamp, que foi uma experiência motivadora para a minha carreira. Sou testemunha viva da transformação que ocorre entre os participantes pela capacitação técnica oferecida nesses treinamentos e mentorias ao longo da competição”, lembrou Frattini.

A decisão de quem seria a vencedora ficou a cargo de uma banca de jurados especializados do ecossistema inovador, como investidores anjos, empreendedores e membros de aceleradoras, que avaliaram os pitches e realizaram uma arguição sobre cada modelo de negócio. No resultado final, o reitor Tom Zé anunciou a equipe Re:Skin como a vencedora da competição, premiando cada um dos integrantes da equipe com 3 mil reais, acesso por um ano à treinamentos e cursos da plataforma oferecida pela patrocinadora FM2S Educação e Consultoria, além de receberem certificados como vencedores da edição e poderem participar de um programa de pré-aceleração oferecido pela patrocinadora Baita Aceleradora.

A equipe Re:Skin é formada por João Lucas de Souza Rodrigues, Mariah Zajankauskas Orçati e Marina Paolacci Carunchio, alunos do curso de graduação de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus de Botucatu, além de Júlia Freitas Batista, aluna de graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). O time também foi reconhecido como melhor pitch pelo voto popular entre os presentes no webinar da final, emocionando os integrantes:

“Estou emocionada. Só tenho a agradecer a todos da nossa equipe e da Inova. Programas como o Desafio Unicamp são muito importantes para nos encorajar a levar essas ideias tão maravilhosas que nascem nas universidades para o mercado. Com certeza, saímos daqui com mais empolgação e força de vontade para fazer esse projeto ir para a frente. Obrigada a todo mundo que nos ajudou e nos apoiou”, comemorou Orçati, quem representou o time no pitch

Re:Skin focou no mercado de curativos 

A equipe desenvolveu um modelo de negócio com mentoria acadêmica da professora Marisa Beppu, da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp, uma das inventoras da patente da Universidade que protege o processo simplificado para se obter um curativo que imita propriedades da pele e que pode ser usado no tratamento de feridas crônicas em animais e em humanos.

Segundo a equipe, as feridas crônicas comprometem a qualidade de vida de mais de 5 milhões de brasileiros, especialmente idosos, e que demandam cuidados especiais de alto custo e com procedimentos dolorosos por precisar de constantes trocas e limpeza da lesão. Além dos humanos, os animais também apresentam feridas que exigem os mesmos cuidados e, normalmente, geram estresse aos animais.

O grande diferencial em relação a outras membranas similares já inseridas no mercado é um baixo custo de matéria-prima e produção em relação ao que se é ofertado hoje, além de ser um curativo formado por polímero natural, sendo assim atóxica e biodegradável: “Por ser biodegradável, esse curativo pode ser completamente absorvido pelo organismo, não necessitando das trocas dos curativos e só precisando de um novo curativo quando for necessário, o que traz mais conforto aos pacientes”, justificou Mariah Orçati.

A tecnologia já foi testada in vitro e precisaria de mais testes em animais, primeiro mercado a ser explorado pela potencial startup, e, posteriormente, avançar em testes para uso humano a fim de se inserir nesse nicho também. A equipe apresentou um cronograma e carta de intenção para obtenção de financiamento do PIPE FAPESP que tornaria o modelo de negócio viável, além de um segundo cenário com parceria de grande farmacêutica para produção.