Epidemiologista diz que pesquisa em Botucatu será inédita no mundo

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Epidemiologista diz que pesquisa em Botucatu será inédita no mundo 29 abril 2021

Carlos Magno Fortaleza, da Faculdade de Medicina do câmpus de Botucatu da Unesp, é o principal pesquisador da iniciativa

Ainda repercute bastante a notícia de que Botucatu vai abrigar um estudo de efetividade da vacina da Fiocruz (Oxford-AstraZeneca). O projeto, que também prevê vacinação em massa a população adulta, é liderado pela Unesp e Prefeitura.

Esse tipo de pesquisa com essa vacina em uma cidade de porte médio, como Botucatu, é inédito no mundo, afirma o médico epidemiologista Carlos Magno Fortaleza, da Faculdade de Medicina do câmpus de Botucatu da Unesp, que é o principal pesquisador da iniciativa.

Segundo Fortaleza, o estudo vai dar a real dimensão de como esse imunizante impacta na redução do número de casos, internações e mortes por Covid-19 e deve servir de referência para outros países do mundo que o aplicam.

Também conhecida como “estudo de vida real”, a pesquisa observará o impacto do imunizante sobre desfechos como doenças sintomáticas, internações, inclusive em UTI, e mortes. Esses desfechos serão identificados por meio dos sistemas de notificação do SUS (Sistema Único de Saúde).  O acompanhamento da população envolvida no estudo será de seis meses após vacinação.

“Todos os casos [de Covid-19 participantes do estudo] terão confirmação laboratorial e todos os vírus identificados serão sequenciados para identificação de variantes”, afirma Fortaleza.

A imunização em massa deve ser iniciada ainda neste semestre, possivelmente em maio, e a meta é atingir 100% da população elegível para a vacina, aplicada apenas em adultos (pessoas com 18 anos ou mais). O público-alvo é estimado em cerca de 80 mil pessoas.

“Não existe uma outra cidade no Brasil que reúna todas as condições de Botucatu neste momento. A população da cidade não é grande a ponto de inviabilizar o estudo operacionalmente, o município tem uma excelente estrutura para vacinação e uma excelente estrutura laboratorial”, colocou o pesquisador.

Aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), ligada ao Conselho Nacional de Saúde, o estudo será feito em parceria com a Universidade de Oxford, do Reino Unido, e terá a participação de pesquisadores da Unesp, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da prefeitura local e de um braço europeu da Fundação Bill e Melinda Gates, organização filantrópica criada pelo fundador da Microsoft e com sede nos Estados Unidos. As doses da vacina serão doadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), com o apoio do Ministério da Saúde.

A pesquisa terá três grupos de controle, que são conjuntos de habitantes usados para comparação com os imunizados no estudo: adultos não vacinados em municípios vizinhos; pessoas já alcançadas pelo Programa Nacional de Imunizações; e menores de 18 anos moradores de Botucatu.

O delineamento da iniciativa foi feito pela Unesp em encontros com a Universidade de Oxford e a Fundação Bill e Melinda Gates. A metodologia do trabalho está alinhada às indicações feitas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para avaliar efetividade de vacinas. Os laboratórios que serão utilizados para o sequenciamento genético dos casos de Covid-19 nesse estudo em Botucatu são ligados à Unesp.

“Essa pesquisa vai responder como a vacina da Fiocruz se comporta no mundo real em relação às novas cepas que estão circulando no Estado de São Paulo e no Brasil”, diz o prefeito de Botucatu, Mário Pardini Affonseca. “Botucatu passará a ser o centro das atenções do mundo acadêmico e científico.”

Cadastro do público-alvo

A população universitária que comprovar residência na cidade há, pelo menos, três meses terá direito à vacinação, de acordo com o prefeito. A administração municipal vai definir todos os critérios relacionados ao cadastro do público-alvo nos próximos dias, em conjunto com todas as partes envolvidas no estudo.

“Nossa expectativa é que daqui a duas semanas, no máximo, a gente comece a receber as doses do Plano Nacional de Imunização para iniciar a vacinação da população”, afirma Pardini, que acrescenta:

“Não adianta vir para Botucatu agora para comprovar residência na cidade”.

De segurança e eficácia comprovadas, o imunizante da Fiocruz-Oxford-AstraZeneca foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), assim como a Coronavac, produzida no país pelo Instituto Butantan. Essas duas vacinas foram as primeiras que ficaram disponíveis à população brasileira pelo SUS.

Do ponto de vista epidemiológico, o estudo em Botucatu é comparável ao desenvolvido com a vacina Coronavac em Serrana, cidade paulista de cerca de 50 mil habitantes na região de Ribeirão Preto. “São estudos complementares no sentido que todos estes estudos para avaliar efetividade de vacinas fornecem dados de qualidade de vida real e, juntos, estão colaboram para o Programa Nacional de Imunização”, afirma Carlos Magno Fortaleza.

A vacina Oxford-AstraZeneca contra o coronavírus é aplicada por dezenas de países, nos cinco continentes. A imunização é feita em duas doses, com um intervalo de três meses entre elas.

Fonte: Jornal da Unesp

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