Eliana Milanesi Rubio representa a identidade pura e verdadeira em ser moradora do Bairro

 

A biomédica aposentada, Eliana Milanesi Rubio, de 67 anos, nasceu, literalmente, no Bairro, já que antigamente as mulheres não costumavam ir ao hospital para ter seus filhos. Nesse contexto, a entrevistada conta que sua mãe deu à luz em sua própria casa, localizada na Rua Tenente João Francisco, 201, na Vila dos Lavradores.

“Eu agradeço todos os dias a Deus pela família que tive, honesta, amorosa, íntegra e que pude conviver bastante. Minha mãe, Joanna, era professora primária, meu pai, Romildo, era ferroviário e meu irmão Carlos Roberto. Meus avós paternos e minha tia Evanira moravam na casa ao lado. Minha infância foi muito feliz”, contou, sensibilizada, a biomédica aposentada.

Nas boas lembranças adquiridas em sua infância, Eliana fala sobre as viagens de trem da antiga Sorocabana, a ansiedade em assistir à passagem da boiada na Rua Vitor Atti, as brincadeiras na rua com as crianças, enquanto os vizinhos colocavam as cadeiras nas calçadas para bater papo durante à noite, as quermesses de junho na Igreja, os encontros de domingo com a família materna e o final das tardes com seu avô Vicente. Enfim, sempre com muita segurança, inocência e de maneira muito saudável.

Eliana estudou na Escola Dom Lúcio, um pouco na Escola Cevila e por fim, formou-se no EECA, no chamado ginasial. A pedido dos pais, fez o Curso Normal para professora, porém seu sonho sempre foi fazer faculdade: um desejo difícil e com pouco apoio à época.

“Quando abriu o Curso Científico no período noturno, consegui conciliar as duas áreas. Após o término, fiz um ano de cursinho particular, para assim alcançar meu grande objetivo: entrar em uma Universidade. Prestei vestibular, que na época não se chamava Unesp, e sim Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu. O vestibular era realizado em São Paulo, tinha prova escrita e prática. Para minha grande felicidade, eu passei nos dois processos e ingressei no curso de Ciências Biológicas/Modalidade Médica (Biomedicina) ”, explicou.

Eliana completou os quatro anos de graduação. “Eu sempre me imaginei trabalhando na área médica, mas não sabia se seria como enfermeira, na verdade não tinha a convicção do que gostaria de ser. Porém, durante o Científico, Edgar, o meu professor de Biologia era um aluno de Medicina e foi justamente ele que me orientou a seguir a carreira de biomédica. E acredito que foi Deus que me deu esse dom”, falou a aposentada.

Revivendo suas memórias, Eliana conta que se deslocava até Rubião Júnior para estudar de trem. E no quarto ano de curso, o aluno deveria escolher em qual área atuaria e ela ainda não havia definido qual seguir. Através de uma amiga que trabalhava no Banco de Sangue (atual Hemocentro) teve seu primeiro contato com esse ambiente e assim surgiu sua ligação com o trabalho de transfusão e doação de sangue. Com isso, deu início a seu estágio na área de Hemoterapia, para mais tarde virar docente dessa disciplina para os quartos e quintos anos de Medicina.

Segundo a aposentada, a estrutura e as técnicas do Banco Sangue eram muito precárias e, por esse motivo, a mandavam para o Hospital do Servidor para aprender e aplicar aqui na Unesp. Nesse contexto, Eliana ajudou na implantação do espaço que hoje é conhecido como Hemocentro. “Tudo foi se desenvolvendo de uma maneira integrada. A Hemoterapia se juntou com a Hematologia, e assim criou-se o Hemocentro. Trabalhei lá de 1971 a 1998, e só saí quando me convidaram para trabalhar no laboratório de Reprodução Humana, o que se tornou um outro grande desafio na minha carreira”, disse.

Eliana tem dois filhos: Letícia, arquiteta e Carlos Eduardo, farmacêutico. E o grande amor de sua vida é a netinha, Lavynea, de 10 anos, inclusive confessando que se aposentou, em 2006, para ficar mais próxima a ela. “Eu posso resumir a minha vida profissional em dois momentos: “A Hemoterapia foi meu primeiro amor e a Reprodução meu grande amor”, declara emocionada.

Morando desde 1982 em sua atual residência, na Vila Carmelo, essa simpática e apaixonada moradora do Bairro, resume sua ligação com a região em que nasceu e escolheu viver por toda sua vida. “Este lugar é um paraíso, e sua grande peculiaridade é a amizade e a união, a vontade de estar junto das pessoas. O Bairro, para mim, é sinônimo de felicidade, amor, liberdade e inesquecíveis recordações. É minha vida”, finalizou Eliana.