Eleições 2020: vereadores devem migrar para o PSDB na janela partidária

Janela do troca-troca começa em 05 de março (Foto Acontece Botucatu)

O PSDB deve liderar o troca-troca de legendas na janela partidária em Botucatu, período eleitoral que se abre no dia 05 de março e vai até 03 de abril. A sigla, que já tem a maioria dos vereadores, deverá se reforçar com muitos dos chamados campeões de votos nas eleições.

Na Câmara, por exemplo, o ninho tucano abriga atualmente Alessandra Lucchese, Jamila Cury Dorini, Zé Fernandes e Izaias Colino. É certo que Colino, o mais votado na última eleição, sairá do partido para se candidatar a Prefeito e que “Dona” Jamila não tentará a reeleição.

Para compensar, o PSDB deverá ganhar em seus quadros Paulo Renato (PSC), Cula (PSC), Laudo (PP) e Carreira (PSB). Isso sem contar as figuras de Curumim (Secretário Participação Popular), que deverá voltar para Câmara em breve, pois tem mandato, o ex-vereador Lelo Pagani, que estava na REDE, entre outros nomes fortes.

Mas qual o motivo dessa obsessão de todos pelo partido do atual Prefeito Mário Pardini? Simples, a regra eleitoral mudou e agora não haverá mais coligações de partidos para vereador e só farão representantes na Câmara as siglas solitárias que mais abocanharem votos nas eleições.

Como vai funcionar a eleição de um vereador agora?

Segundo a legislação eleitoral, o Coeficiente eleitoral é calculado tomando por base os votos válidos que nós temos em Botucatu, dividido pelo número de cadeiras em disputa. Atualmente são pouco mais de 100 mil eleitores.

Desse número, algo em torno de 20 mil eleitores não comparecem para votar, sendo que outros 5 mil votam branco e mais uns 5 mil votam nulo, ou seja, 30 mil votos que não são válidos e 70 mil votos válidos.

Desses 70 mil votos válidos, há a divisão por 11, que é o número de cadeiras. Essa conta chega a aproximadamente 6,4 mil votos. Esse é o coeficiente, ou seja, o mínimo que cada partido político terá que atingir para poder fazer uma cadeira.

Igor Ignácio: Os partidos vão ter que colocar lá dentro pessoas de qualidade no voto.

“Na eleição passada o coeficiente foi algo em torno de 5,8 mil, contudo era permitido coligações. Quando você coliga, você pode lançar o dobro do número de candidatos para as cadeiras que tem para concorrer. Então se você tinha 11 cadeiras, podia lançar 22 candidatos para atingir o coeficiente. Nesta eleição não pode mais coligar na eleição proporcional, então o partido isolado vai ter que conseguir esse número de votos”, disse ao Acontece Botucatu Igor Ignácio, Chefe do Cartório da 26ª Zona Eleitoral, que engloba Botucatu, Itatinga e Pardinho.

De acordo com Igor, quando um partido sai isolado, ele só pode lançar 150% de candidatos referentes ao número de cadeiras. Então, se são 11 cadeiras, chegamos ao número de 17 candidatos com a obrigação de atingir esse mínimo necessário, algo em torno de 6,4 mil votos, para poder fazer ao menos uma cadeira.

Com esse novo cenário, teoricamente falando nesse momento, apenas um outro partido deverá ter força para eleger parlamentares, o PDT do casal Rose e Mário Ielo, que também tem o vereador Trigo como puxador de votos. O ex-Prefeito pode ser dessa vez candidato ao legislativo, enquanto a vereadora disputaria como candidata a Prefeitura.

A situação da próxima eleição é tão diferente, que um candidato de outro partido pode ser o mais votado e mesmo assim ficar fora desse coeficiente eleitoral. Por exemplo, Abelardo, segundo mais votado com 1.767 votos na última eleição, pode ter dificuldades se continuar no MDB, mesmo se mantiver a votação.

Agora são menos candidatos com um ‘sarrafo’ maior. Igor Ignácio atenta para a qualidade na composição de um time de candidatos.

“Lá em 2016 eu tinha um coeficiente menor e mais pessoas para conseguir atingir esse valor. Agora nós aumentamos o coeficiente e diminuímos o número de pessoas que vão ter que atingir esse número. Então os partidos vão ter que colocar lá dentro pessoas de qualidade no voto, pessoas que vão conseguir atrair uma quantidade de voto muito grande”, coloca Igor Ignácio.

Prazos eleitorais

A eleição municipal ocorrerá no dia 4 de outubro, o primeiro domingo do mês, conforme prevê a Constituição Federal. Do dia 5 de março ao dia 3 de abril, ocorre o período da chamada janela partidária, quando os vereadores poderão mudar de partido por justa causa, para concorrerem nas eleições majoritária ou proporcional sem perder o mandato.

Já o dia 4 de abril é o fim do prazo para aqueles que desejam concorrer a um cargo eletivo estarem filiados a um partido devidamente registrado no TSE. A data marca seis meses antes do pleito.