19 dezembro 2025
Proposta articulada pelo Deputado Federal João Cury prevê investimento total de R$ 90 milhões e pode transformar Botucatu em referência regional no tratamento do câncer

A aprovação do Orçamento da União para 2026 pelo Congresso Nacional garantiu a inclusão de R$ 30 milhões para a implantação de um Centro Oncológico no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu. O projeto, que foi aprovado nesta sexta-feira, 19, segue para sanção presidencial e é considerado um dos mais importantes investimentos em saúde pública já articulados para o município e região.
A destinação dos recursos é resultado de um trabalho político iniciado meses antes pelo deputado federal João Cury Neto (MDB), que explicou em entrevista à Prever FM 100.9 que a criação do centro atende a uma demanda regional crescente. Atualmente, o Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, é a principal referência oncológica da região, atendendo uma população estimada em quase 2 milhões de habitantes, já operando no limite de sua capacidade.
Segundo o deputado, Botucatu já realiza atendimentos oncológicos tanto no Hospital das Clínicas da Unesp quanto no Hospital Estadual, ao lado da Embraer. No entanto, essa estrutura acabou desviando a função original do Hospital Estadual, que foi concebido para absorver cirurgias eletivas e procedimentos de média complexidade, desafogando o HC, que é voltado à alta complexidade. A pressão da demanda por tratamento do câncer acabou gerando um novo gargalo no sistema de saúde regional.

A proposta do Centro Oncológico surgiu a partir de estudos e debates internos da própria Unesp, da Faculdade de Medicina, da Famesp e da direção do Hospital das Clínicas. A ideia é concentrar, em Rubião Júnior, uma estrutura moderna, de última geração, exclusiva para oncologia, permitindo reorganizar toda a rede hospitalar do município.
João Cury relatou que conheceu o projeto em reunião com a alta cúpula das instituições de saúde e ensino de Botucatu e passou a atuar diretamente para viabilizá-lo em Brasília. O avanço decisivo ocorreu após ele assumir como membro titular da Comissão Mista de Orçamento (CMO), um dos colegiados mais estratégicos do Congresso, responsável por definir como os recursos federais são distribuídos.
A partir daí, o deputado articulou a criação de uma emenda de bancada estruturante, capaz de abrir uma rubrica específica no orçamento federal para atenção oncológica especializada. O caminho incluiu aprovação na bancada paulista, no Comitê de Admissibilidade de Emendas, na relatoria setorial da Saúde e, por fim, no relatório geral do orçamento.
Maior investimento da história do Município

O custo total estimado da obra é de R$ 90 milhões, valor que deve ser executado ao longo de três a quatro anos. De acordo com o deputado, não se trata de uma obra que exige todo o recurso de uma única vez. O cronograma prevê inicialmente a contratação do projeto executivo, seguida do processo licitatório e, posteriormente, o início das obras.
Com a aprovação do orçamento, a expectativa é que 2026 seja dedicado à elaboração do projeto técnico e às licitações, com possibilidade de início das obras no final do próximo ano ou no começo de 2027. A liberação dos recursos ocorrerá de forma gradual, acompanhando o andamento da construção.
Outro ponto destacado por João Cury é que, por se tratar de uma emenda estruturante, a rubrica criada no orçamento permanece aberta nos anos seguintes, permitindo a entrada de novos recursos federais, estaduais e até municipais, o que garante maior segurança para a conclusão da obra.
O deputado também afirmou ter obtido do Ministério da Saúde o compromisso político de execução do projeto, desde que os recursos aprovados representem verba nova para a pasta. Durante visita a Botucatu, o atual Ministro Alexandre Padilha, confirmou essa informação durante entrevista coletiva à imprensa local. Com a aprovação pelo Congresso, o projeto agora aguarda apenas a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para avançar para as próximas etapas.
A implantação do Centro Oncológico é vista como estratégica para ampliar o acesso ao tratamento do câncer, reduzir o deslocamento de pacientes para outras cidades e consolidar Botucatu como polo regional de saúde de alta complexidade.
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