Caio Induscar propõe novo Acordo Coletivo aos colaboradores para evitar novas demissões 

Até o momento a Caio diz que desligou aproximadamente 320 pessoas

Caio
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Devido ao atual cenário econômico, muitas empresas têm gerenciado seus recursos para diminuir os efeitos negativos gerados pela pandemia. Especificamente no segmento de transporte coletivo, as compras de ônibus caíram de forma significativa, impactando na produção de carrocerias.

Em um esforço para preservar o equilíbrio financeiro e a maioria dos empregos de toda equipe, a empresa realizou a antecipação de feriados e, na sequência, Acordo Coletivo com a duração de dois meses, no qual ocorreu a flexibilização de jornada de trabalho e salário.

Com o encerramento do Acordo em 31 de maio, não foi possível manter todos os postos de trabalho, em um segmento de mercado com queda de 60%. Dessa forma, houve a redução de cerca de 10% da equipe, aproximadamente 320 pessoas.

Uma importante parcela das demissões foi por opção dos colaboradores, segundo release enviado pela empresa. “Se nós fôssemos pautar as nossas decisões apenas em fatos e em números, a quantidade de demissões seria quase sete vezes maior. Foi graças aos recursos disponibilizados pelo Governo Federal, aliados a estudos de diferentes cenários e à confiança e determinação dos acionistas, que conseguimos formatar uma nova proposta que votada em Assembleias nesta quinta e sexta-feira, 04 e 05 de junho”, explica Maurício Lourenço da Cunha, diretor industrial da Caio.

O proposto para os colaboradores no Acordo é baseado em três pilares: a suspensão do contrato de trabalho, de acordo com as regras da Medida Provisória 936/2020 nos meses de junho e julho, a redução de jornada de trabalho e de salários entre agosto e novembro de 2020 e o Banco de Horas, para compensação futura com prazo até dezembro de 2021.

Praticamente todos os colaboradores entrarão em suspensão do contrato, com escala alternada de trabalho, nos meses de junho e julho, dividida em equipes (50% em cada mês). Quem trabalhar integralmente durante o mês, recebe 100% do salário, enquanto que os colaboradores que permanecerem em casa, recebem 30% do salário, mais 70% do valor do benefício emergencial, conforme previsto na Medida Provisória.  No mês seguinte, as posições são invertidas.

Sobre os trabalhadores do Grupo de Risco, que foram afastados desde o início, a empresa irá mantê-los afastados, em suspensão de contrato de trabalho pelos dois meses.

“Além da estabilidade no emprego pelo período de 6 meses, serão mantidos todos os benefícios da empresa aos colaboradores que estiverem em suspensão de contrato, que incluem plano de saúde e odontológico, cartão com desconto em Folha, entre outros”, explica Silvio dos Santos, gerente corporativo de Recursos Humanos.

Já a redução de jornada de trabalho terá a duração de 116 dias, com validade até 30 de novembro de 2020. Durante este período, a redução máxima dos salários será de 40%. Caso a situação de produção total seja alcançada, o percentual retorna para 100% de jornada e salários.

O Banco de Horas é um recurso que poderá ser utilizado caso não haja produção nas unidades fabris, devido a um possível agravamento da situação de mercado ou da pandemia. Fica garantido o pagamento de 60% do salário aos colaboradores, sendo que, as horas pagas e não trabalhadas serão automaticamente lançadas em Banco de Horas, a serem compensadas até 31 de dezembro de 2021.

A votação pelo Acordo, realizada em Assembleias, confirma o resultado positivo de 85% de aprovação na fabricante de ônibus Caio, tendo também resultado bastante significativo em todo o Grupo – 87% de aprovação. O diretor industrial ressalta a postura que permeia a gestão atual “Acreditamos na maturidade e no espírito de união de nosso time que, mais uma vez, participou de um esforço conjunto, para minimizar os impactos dessa crise.”