Benedicta Pinheiro Machado: um século de sabedoria

 

Dona Benedicta é descendente da quinta geração do fundador de Botucatu

Nascida e criada no Bairro, Benedicta Pinheiro Machado Guerreiro irá completar 102 anos em 2017. Descendente da quinta geração do fundador de Botucatu, o Capitão Gomes Pinheiro, a simpática senhora relatou ao Jornal Nosso Bairro algumas recordações de sua infância e juventude.

Benedicta revela que nasceu no Bairro e mora até hoje no mesmo local. “Antigamente, aqui era a chácara Santa Inês. Desde que nasci, sempre morei no mesmo local. Antes não existia rua, era tudo chácara e cafezal”, relata.

Antes de existir a paróquia Sagrado Coração de Jesus, no local havia uma capela onde Benedicta ia com sua mãe e os irmãos para rezar. A igreja foi inaugurada em 1923, por Dom Lúcio Antunes de Souza, e o padre da época era Salústio Rodrigues Machado. Com apenas oito anos, Benedicta foi um dos anjos da festa de inauguração da paróquia.

Outra recordação que ela faz questão de compartilhar foi quando o então governador, Lucas Nogueira Garcez participou do lançamento da pedra fundamental para a construção da Escola Dom Lúcio Antunes de Souza. Durante o bate-papo, o Hospital do Bairro também foi citado. “O Hospital foi inaugurado em 1950 por ferroviários. Ali era a Fazenda Barrinho, que tinha uma enorme plantação de café”, lembra.

A primeira professora primária, Julieta Pires de Campos é lembrada com carinho. “A escola Dom Lúcio ficava onde hoje é a base da Polícia Militar. Dona Julieta era muito amorosa com seus alunos, sempre de bom humor e com muita paciência para ensinar. Ela alfabetizou muitas gerações. Uma característica dela era a sua elegância”, lembra.

As tradicionais quermesses da igreja que aconteciam durante todo o mês de junho também fazem parte das recordações de dona Benedicta. “Era uma festa e tinha muita música. Também havia as procissões. No último dia da quermesse tinha apresentação da banda e muitas pessoas de outras regiões vinham participar do festejo. Leilões e barracas típicas eram montadas. Os moços cortejavam as meninas com correio elegante. Quando elas tinham interesse respondiam e assim começavam muitos namoros”, conta.

Benedicta revela que, na época, os rapazes do Bairro tinham ciúmes se as moças namorassem moradores de outros bairros de Botucatu. Outro fato recordado foi o cinema mudo, que ficou por pouco tempo instalado em frente à antiga fábrica Lunardi.

A Farmácia Aparecida era conhecida como a farmácia do seu Pedrinho, ele farmacêutico formado, atendia os moradores da região. “Seu Pedrinho Pires de Campos era como um médico, aos sábados formava fila em frente a farmácia, o pessoal que morava na área rural vinha até a farmácia para se consultar com ele. Ele era muito querido, tratava todos muito bem, tinha um carisma que contagiava a todos”, finaliza.

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