Atraso de salário dos Funcionários do AME de Botucatu se arrasta há mais de 2 semanas

Os colaboradores receberam um ofício do gerente administrativo da unidade informando que os salários seriam pagos ontem, 24, porém, o fato não se concretizou

Foto: Divulgação/Arquivo

Acostumados a receberem o salário sempre no quinto dia útil, os funcionários do AME, Ambulatório Médico de Especialidades de Botucatu, já não sabem mais o que fazer, já que há mais de duas semanas esperam pelo pagamento.

Sem uma explicação, ou justificativa plausível, os colaboradores receberam na última sexta-feira, 21, um ofício do gerente administrativo da unidade, Dagson Morais, informando que os salários seriam pagos ontem, segunda-feira, 24, porém, o fato não se concretizou. (veja aqui o ofício)

“Acho uma falta se respeito, estamos trabalhando sem saber se iremos receber ou não, cuidamos de paciente desde críticos como estáveis, está difícil a situação. Sinceramente não sei o que será desses pacientes se todos pararem, visto que tem muitos funcionários que não têm nem condições ou dinheiro para se locomover até ao trabalho, tem pessoas até sem comida dentro de casa. Sei que os pacientes não têm culpa, mas está difícil esse atraso, precisamos receber. Pedimos um suporte à chefia do AME, porém, nada é resolvido, A única resposta que temos é que, ” Não temos verbas para pagarmos vocês, e não sabemos quando teremos”, disse um funcionário ao Acontece Botucatu.

“Essa situação já está passando dos limites, ninguém recebeu nada até agora. Precisamos receber para continuar o trabalho, lamentável e desrespeitoso o que está acontecendo conosco em plena pandemia. Não sabemos mais a quem recorrer, estamos desanimados com essa insegurança sem saber ao certo se iremos receber ou não. As contas não esperam, aluguéis atrasados, cartão atrasados, falta de alimento em casa, pai de família passando necessidade. Precisamos de atenção”, completou.

Atualmente o AME de Botucatu atende apenas casos de Covid, já que foi transformado em uma espécie de hospital de campanha, mas apenas dois leitos estão em funcionamento. No total são 131 funcionários, sendo 47 remanejados e 84 contratados. Entre eles estão técnicos de enfermagem, enfermeiros, fisioterapeutas, equipes de limpeza, médicos e administrativo.

“Ontem (segunda-feira) as informações eram que até fornecedores iriam retirar algumas coisas que venderam e não teriam sido pagos, então estariam recolhendo seus produtos ( Condicionadores de Ar e cilindros de oxigênio). E como ficam as contas atrasadas dos funcionários? O mais grave é que essa proposta de pagamento só foi feita, pois ainda tinha um paciente na UTI e outro na enfermaria. O da UTI foi transferido para o HC da Unesp e a outra paciente continua internada. O medo dos funcionários e que depois que essa paciente sair o AME feche e ficamos a ver navios”, disse outra funcionária.

“Tem funcionários com dificuldades de comprar alimentos, foi feito até uma “vaquinha” entre os outros funcionários pra ajudar. Está caótica a situação. Os funcionários não tem mais a quem recorrer. Não podemos acreditar em nossa diretoria aqui que só promete”, finalizou.

Sem respostas

A reportagem tentou contato com a assessoria de imprensa da  OSS “Organização Social de Saúde Irmandade Santa Casa de Andradina”, que administra o AME de Botucatu, mas não teve retorno.

Enviamos também um e-mail para a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde, mas ainda não tivemos respostas.