Alcides Michelin conta que envolvimento da família influencia diretamente no sucesso de sua empresa

 

Alguns ritos servem para manter os laços de uma família sempre fortes. Seja um almoço de domingo, nas festas de fim de ano, um aniversário ou em qualquer outra data importante. Mas e quando o trabalho de um pai envolve toda a família, será que os conflitos aumentam?.

Seu Alcides Michelin, de 79 anos, garante que não. Dono de umas das mais conceituadas auto mecânicas da Cidade, localizada na região do Bairro, hoje ele vê toda a família unida em torno de um sonho iniciado por ele, em 1976. Cada um tem uma função diferente. Mas somadas, ajudam na consolidação e crescimento do empreendimento.

Marcelo, o caçula (34), administra a oficina e a loja de carros. Marcos, o primogênito (46), cuida do serviço de funilaria e pintura. Enquanto que as mulheres da casa, a esposa Dona Adelair, e Adriana, a filha do meio, ficam responsáveis pela contabilidade.

“Minhas férias eu passava na oficina. Desde os 5 anos já estava aqui dentro. Eu ia junto com meu pai fazer as compras, mexia com motor de fusca, pintava a lataria de motor, enfim. Na verdade, sempre gostei, antes do colegial terminar já era bem envolvido”, revela Marcelo.

Apesar de já ter diminuído o ritmo em comparação ao início da carreira, o patriarca ainda demonstra a mesma paixão pelo negócio, além de manter alguns hábitos como sempre ser o primeiro a chegar e o último a sair. Mas o maior orgulho é ver que a empresa chegou a um patamar de excelência, com ajuda e compreensão da família.

“Fico lembrando como foi começar do nada, sem ajuda de ninguém. Na época só pensava em trabalhar e cuidar dos filhos, tocar a vida para frente e ganhar dinheiro para ver se um dia pudesse melhorar a situação para eles”, declara, emocionado, o mecânico, que conseguiu freqüentar somente até a oitava série.

Apesar da rotina desgastante e das responsabilidades que a empresa exige, a relação entre pai e filhos no mesmo ambiente de trabalho é tranquila. “Briga nunca teve. Temos, sim, opiniões diferentes. Mas é muito bom trabalhar com os filhos, confiamos mais neles. E temos uma divisão, se todos fizessem a mesma coisa, não daria certo”, afirma Alcides.

“A forma de tratamento também não muda. No ambiente de trabalho chamo ele de pai mesmo. Na verdade, às vezes, o dia é tão corrido que mal vejo meus irmãos e minha mãe. Meu pai tenho um pouco mais de contato. Mas fico correndo de lá para cá. A relação é próxima, mas ao mesmo tempo não”, fala o filho mais novo.

Marcelo afirma ainda que trabalhar com o pai é um privilégio: “Para mim, poder trabalhar junto é adquirir experiência, crescer junto. Meu pai cresceu até certo ponto e depois a gente caminhou junto. Não existe desvantagens e também não fico pensando como seria se tivesse seguido outra carreira”, afirma.

“Ele [o pai] é a escola. Tudo que eu tenho hoje foi ele que me proporcionou. A gente passa por diversas coisas no dia a dia que tem hora que você se pergunta se deu certo, se valeu a pena. Mas percebo que estamos no caminho certo”, complementa Marcelo.

Já Alcides dá sua versão de maneira emocionada e bem-humorada: “Eles são meu orgulho. Sem eles eu não conseguiria chegar onde cheguei. Meus filhos sempre foram muito responsáveis. Nunca precisei chamar a atenção deles. Hoje é meu filho que chama mais a minha atenção do que o contrário, mas sempre dentro do limite”, brinca.

Fora da oficina, a relação pai e filho não muda: “Chega no sábado, depois das 13 horas, fechamos aqui e damos uma desligada. Às vezes saímos à noite, e aos domingos almoçamos em algum restaurante. Temos uma chácara aqui perto e gostamos de ir para lá. Os laços se fortalecem e continuam”, garante o pai.